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Edomir Martins de Oliveira publica mais um capítulo do livro inédito: "A PAZ NA LINHA DA VIDA"

Autorizada publicação pelo autor.

27/07/2022 às 17h41 Atualizada em 28/07/2022 às 18h24
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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O autor
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Edomir Martins de Oliveira é vice-Presidente Nacional da Academia Poética Brasileira - APB

UM ACONTECIMENTO DE SAO JOÃO

Ainda hoje, penso do mesmo modo de outrora. Sempre entendi que um profissional, vivendo das suas atividades, deve exercê-las com amor e dedicação, colocando em primeiro lugar não os honorários, mas o que a Lei permite fazer em favor do cliente. Os honorários serão uma consequência do exercício profissional.

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Havia explodido uma indesejável pandemia, que em pouco tempo espalhou-se por todo o mundo. Os cientistas,  imediatamente, começaram a trabalhar pela descoberta de uma vacina que pudesse imunizar imediatamente a todos. 

 

As autoridades sanitárias, por sua vez, entenderam que como providências preliminares a população deveria passar a usar máscara facial que minimizasse o contágio da doença, e, determinaram a suspensão de festas, onde houvesse aglomeração. Estas foram liberadas aos poucos, depois de dois anos. 

 

Havendo a pandemia diminuído a intensidade, as autoridades decidiram, dar ao povo um pouco de liberdade. Então, as festividades populares, tais como Carnaval, Festejos de São João, Campos de Futebol, Teatro e outras mais, onde havia sempre muita aglomeração foi flexibilizado, embora continuasse mantida, as exigências do uso das máscaras. 

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Vários dançantes das festas juninas, como quadrilhas e brincantes de bumba-meu-boi e outras danças, se deslocaram do interior do Estado para a Capital, puderam fazer suas exibições, e receberem os aplausos do povo. Todos tomando as cautelas exigidas pelas autoridades sanitárias. 

 

Quando tomei conhecimento de que um ˜Boi de Matraca˜ de determinado município iria se apresentar, resolvi assistir a sua apresentação, pois me lembrei do meu relacionamento com muitas pessoas daquele município, inclusive com o prefeito à época. 

 

Eis que, de repente, alguém me tocando em um ombro cumprimentou-me com um boa noite e perguntou se eu dele me lembrava. Uma consulta rápida em minha mente trouxe a minha lembrança e também dele me lembrei Tratava-se de um prefeito que eu houvera atendido para prestação de serviço jurídico.

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Ele, então, começou a clarear mais a minha memória, lembrando-me que eu impetrara um pedido de Habeas Corpus em seu favor, com resultado positivo. Disse-me que  não me pagara os honorários por falta de oportunidade, pois quando ele me procurara eu houvera viajado. Mas a divida ele nunca esquecera e queria pagar-me agora, em valor atualizado. Então, eu disse-lhe que tinham decorridos tantos anos que nem me lembrava do valor contratado. Eu já estava bem pago pela gentileza de sua lembrança e nada quis receber .

 

                 Disse-me que quando vinha à capital, coincidia não me encontrar, porque eu estava viajando a trabalho, segundo a informação que recebia.

 

Causava-lhe espanto eu nunca lhe ter mandado cobrar, o que o levava a ficar cada vez mais envergonhado, acreditando que um dia haveria de encontrar-me, pois ensina um adágio popular de "que até as pedras se encontram" ele haveria de encontrar-me também. 

 

Agora, conversando com um sobrinho, este lhe disse que houvera sido estagiário do meu escritório e havia aprendido muito comigo. Teceu algumas considerações que muito me envaideceram. Trouxe o jovem advogado à minha mesa e conversamos em um encontro muito alegre. Lembrei-me do tempo em que o jovem era um estagiário interessado e estudioso, por isso mesmo que a vida lhe reservaria muito sucesso.

 

O jovem advogado lembrou-me que a preciosa liçãosobre o amor à profissão e o que o escritório poderia fazer pelo cliente, o acompanhou sempre, e que honorários viriam como uma consequência do trabalho realizado.

 

Contudo, como todo profissional deve proceder, para resguardo de direitos recíprocos, sempre preguei que fosse

feito um contrato especificando o serviço a ser executado e os honorários ajustados, esclarecendo no contrato se esses honorários seriam só em primeira instância.  Em caso de haver recurso para uma segunda instância deveriam ser ajustados novos honorários.

 

O amor e dedicação ao trabalho executado ao cliente, agora apresentava os resultados pecuniários.

 

Foi, então, que o cliente amigo voltou ao assunto de que as informações do seu sobrinho levavam a ver que por tudo isso, agora mais do que nunca, deveria ter encontrado um modo de me localizar. Estava envergonhado. Ainda uma vez voltei a dizer-lhe que a alegria dos bons resultados pelo serviço prestado tinha sido o meu pagamento, e eu estava muito feliz. 

 

Eis o resultado de um contrato de serviços profissionais firmado para resguardo de direito das partes. Bem verdade, que o advogado poderia ter cobrado seus honorários em Juízo. Era questão ganha. Mas a demora do resultado final, desestimulou o profissional. Esses casos são tão raros de acontecer que era melhor tratar de situações de outros clientes. No presente caso, não foram pagos honorários, porém ficou mais um amigo.

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Hannicilia Holanda MartinsHá 4 anos São PauloBela história de profissionalismo com honestidade e humanidade. Parabéns ! Parabéns !
Margarida LinharesHá 4 anos São LuísQual a próxima senhor Domir. Essa eu gostei e já li todinha. que coração o senhor tem. a se todas as dívidas que eu tenho fosse com o senhor....
Dr. Jeremias Cordeiro, Promotor AposentadoHá 4 anos Caxias MaSe bem entendi, há aí, algo como dívida prescrita e dívida atrasada. A dívida atrasada é aquela que não foi paga até o prazo de vencimento. Mas, mesmo tendo ocorrido a prescrição da dívida, a dívida prescrita ainda pode ser cobrada. O credor continua tendo direito de receber o valor que é devido a ele e, por isso, a cobrança ainda pode ser feita. Mas aí, a cobrança não pode judicial. e sim administrativa. e, com esse grande coração, o ilustre causídico repugnou a cobrança. Ora, Vivas!
InêsHá 4 anos São Luís MaLindi, lindo. Que bm que o senhor voltou pastor. Não entendo de direito mas entendo de história de gente honesta. Aleluia!
Pe. Juan MarinsHá 4 anos Igreja da Liberdade. São LuísProfessor, receba meu amplexo divino pelo santo graal. Boa história mostrando sua honestidade que o senhor teu Deus lhe concedeu.
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Edomir Martins de Oliveira
Sobre o blog/coluna
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