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Pensador Olinto Simões responde a Jacques Roubaud, Poeta; Romancista; Matemático, Dramaturgo e Ensaísta.

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01/07/2020 às 20h32 Atualizada em 03/07/2020 às 16h09
Por: Mhario Lincoln Fonte: Olinto Simões
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Jacques Roubaud e Olinto Simões
Jacques Roubaud e Olinto Simões

FRENTE A FRENTE com Olinto Simões

HERMENÊUTICA OLINTÍADA

 Mhario Lincoln, pediu que tecesse um comentário sobre a matéria do Jornal Le Monde em que a temática é Poesia. Quem a ela se refere é um sujeito chamado Jacques Roubaud, Poeta; Romancista; Matemático, Dramaturgo e Ensaísta.

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 Não se pode conhecer a todos, então pesquisei para entender a maneira dele se expressar sobre um assunto que nos é particularmente apaixonante. A Poesia.

 Depois da pesquisa, senti-me tranquilo para escrever, porque trocando Matemática por Idiomática, no restante somos iguais. Considerando que ele lançou o primeiro livro em 1944, e no ano seguinte, cheguei ao mundo, isso praticamente nos faz contemporâneos, já que ele é apenas, 13 anos mais velho que eu. 

 Assim sendo, exponho aqui minha visão do que entendi sobre as posturas dele na matéria que li, comentando alguns pontos específicos da publicação.

Dele - "O que está havendo com a comercialização da poesia no Mundo"?

Meu - Entendo que a Poesia perdeu valor com isso deixou de ter preço. A prova é que ainda escrevo Poesia com letra maiúscula e no questionamento dele, ela está grafada com minúscula. Ou seja, a inconsciência humana atual, partícipe do Inconsciente Coletivo de Jung, está bombardeada pela consciência humana, de informações espúrias. Um consumismo de carência em que a literatura, seja ela qual for, perde mercado para a nova marca de cerveja; jogo de futebol, o novo Smart isso ou aquilo, um par de tênis e todo tipo de perdulário modismo.    

 Na sequência, ele frisa que, "em pleno século XXI, os jornais mais poderosos do Planeta, através dos aludidos suplementos literários podem passar um ano inteiro sem publicar resenhas de livros inéditos da poesia contemporânea? E as livrarias, que, na maioria, não contam mais com uma seção dedicada a obras desse gênero? 

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 Entendo que essa pasmática opinião, prende-se ao fato dele Frances, morar em Paris e viver numa velha Europa que ainda guarda resquícios da cultura milenar. Vivesse ele num país como o Brasil, ou em qualquer outro que tenha a colonização plural como a nossa, com uma infecção de escória multifacetada de todos os países que por aqui passaram, entenderia que depois do pós-guerra, os jornais se dedicaram à cobertura sensacionalista, política e esportiva, deixando de lado todo e qualquer tipo de cultura, com isso, o desinteresse pela leitura se fazia cada dia mais presente. Nosso país tem mais farmácias e templos religiosos que escolas e livrarias.  

Quase pesaroso ele expressa: "Será que a poesia está diante de uma forma extrema de desaparecimento"?

Eu friso: Será? – Não. A Poesia não. O que tende a desaparecer é livro físico. A informática é responsável. As pessoas estão mais grudadas nas telas e interessadas em fofocas, do que em notícias sérias, principalmente se for sobre literatura.  

  Ele alega que há "[...] uma série de acusações para explicar e justificar a desafeição comercial: os poetas contemporâneos são difíceis, elitistas, a poesia é uma atividade fora de moda e ultrapassada".

 Discordo. Os Poetas contemporâneos não são difíceis, difícil é a poesia deles. Muitos não apresentam nem conteúdo, que fará métrica. Não são elitistas. Considerando que nada têm de valor; na escrita falta qualidade e apenas uma minoria detém algum prestígio ou domínio sobre um grupo social. Isso, tem fundamento na falta de instrução escolar, porque o Brasil passou por um processo de degradação escolar em que não poderia reprovar o aluno, dando promoção automática, mesmo sem que a criança tivesse obtido um mínimo instrucional nos primeiros anos do ensino fundamental. A consequência disso, hoje é vista nos anos subsequentes. Esse fator de deterioração do ensino, gerou o fato da geração de estudantes dos últimos quarenta anos, ser atualmente, o que se convencionou chamar de analfabetos funcionais. Fica provado que atualmente quem pensa que escreve, nunca leu.

Roubaud, sem mais vira a metralhadora crítica para a política e culpa aos poetas – em minúscula – na ausência de tomada de posição. Diz ele: "Os poetas são narcisistas, não se dão conta do que realmente acontece no mundo, não intervêm para libertar reféns ou para lutar contra o terrorismo, não fazem diminuir a desigualdade social, não se mobilizam para salvar o planeta e não falam a mesma língua de todo mundo. Eis porque não os lemos. Eles mesmos são os culpados por isso".

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Minha visão política, já que sou Poeta – sem falsa modéstia em maiúscula – é que temos bons POETAS, não temos é bons escritores. Pelo acima mostrado, para a política brasileira, povo burro é povo que não incomoda, e de passado até certo ponto recente, tivemos um Presidente que declarou..., "Ler é chato". Então, fica também explicado o porquê da geração dos analfabetos funcionais.

Depois disso, Roubaud viaja de novo e aborda um tema poético, que a maioria das pessoas que pensa ser Poeta ou poetiza, nem faz ideia do que seja.

Ele, alega que..., "O VIL é um verso não metrificado nem rimado e que, geralmente, ignora as características da tradição poética de determinada língua. Ele 'muda de linha', fugindo às rupturas sintáticas demasiado fortes".

Eu estupefato, entendo que por ele não conhecer o brasileiro, fale coisas assim. Falar em Sintaxe, parte da ciência que estuda a língua, é impossível para quem não faz ideia do que seja a construção duma frase ao menos com nexo. Se eu abordar aqui a ruptura sintática de Roubaud pelo prisma da semiótica e explicar aos muitos poetas que conheço a ligação e combinação de signos e significados entre eles, pensarão que estou falando sobre horóscopo tal é o grau da falta de conhecimentos.

 E com bom teor de maldade intelectual, ele questiona: "Mas por que, nessas circunstâncias, manter a afirmação de pertencer à categoria "poeta"?

  Eu, ainda detentor de alguma bondade, creio na liberdade e licença poética. Muita coisa boa pode ser encontrada com autoria de quem peca na maneira de escrever, contudo, não abro mão de enaltecer quem Poesia faz. Mais importante que a correção da escrita, é a intenção transmitida na Poesia, do Poeta e da Poetiza.

Escorrendo maldade pelo canto da boca, ou noutro prisma visual, com frieza cruel, Roubau afirma que..., "Para as pessoas, e para a 'quarta página dos jornais', onde ficam os anúncios publicitários, ser poeta é, no fundo, rigorosamente nada".

Tenho que concordar com ele, no ping-pong literário entre teclados raquetes. Dentro do consumismo despauteriado in loco citato à continuação da abertura, sim. Nem à quarta página, nem na primeira, nós Poetas valemos alguma coisa.  

 Novamente, Roubau deu banho de conhecimento estrangeiro, mas, em matéria de Brasil, parece que é xenófobo. Disse ele: "[...] a poesia encontrou um modo de expressão original: o slam".

 Ao ler esse parágrafo, quase caí da cadeira. Na hora pensei. Muitos que lerem isso, pensarão de imediato que ele se referia a Religião Maometana. Não é essa ideia. Slam, é uma reunião de Poetas, aonde cada um pode apresentar aos colegas, os escritos em geral, falarem sobre poesia, declamar poemas e colocar em dia novos conhecimentos literários. É o que chamamos por aqui de "Sarau". A única diferença é que nos "Slans" há premiação. É um "Concurso de Poesias".

 Para encaminhar a encerramento, minha prosódia muda, esta tertúlia gráfica, saquei outra parte do texto de Roubau. Ele escancara que a Poesia é "[...] feita com palavras – sem palavras não há poesia; que um poema deve ser um objeto artístico da língua com quatro dimensões, ou seja, composto para uma página para uma voz, para um ouvido, e por uma visão interior. A poesia deve se ler e dizer (SIC).

Escolhi esse excerto, porque ao ler, lembrei, ter comentado acima que brasileiro não tem instrução e não gosta de ler. O que Roubau provoca, é..., pessoas que fazem Poesia, precisam Ler Poesia, falar de Poesia.

 Ter a quem falar de Poesia é sonho de todo Poeta ou Poetiza. Eu, tenho além desse outro sonho, o de poder "Ler" Poesia bem escrita. Para que esse sonho aconteça torna-se necessário ensinar às "Crianças" de quarenta anos para traz a escrever, ensinar a ler e principalmente a falar, porque até a dicção está caótica.

 Poeta não precisa de muito para Poetar. Ao "Inspirar" recebe o mote, ao "Expirar" põe a Poesia para fora. Poesia está no Ar. O Poeta precisa "Respirar" Poesia, o problema é que o ar..., está muito poluído.

 

Olinto Simões

01 de Julho de 2020 – às 2,53 h.

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Olinto Alves SimõesHá 6 anos CuritibaSantos De La Ruia, poeta, Bom dia. Poeta que é Poeta..., não passa vontade, mas, gente que é Poeta, tem "simancol" afinado. Por isso, agradeço seu cometário, e de vareio, afirmo, não foi demais, mas, foi o suficiente. Risos. Abraço.
Olinto Alves SimõesHá 6 anos CuritibaMacedo, José, Bom dia. Você passou por essa Embolia Pulmonar por ter respirado um pouco de "Oxi-Poético" escondido numa prosa. Quando comecei a escrever, lá por volta de 1966, minha intenção era outra. Pensava eu em criar um "AVC" para ver se colocava um pouco de vascularização no cérebro das pessoas que já demonstravam um certo distanciamento da literatura. Resultado: deu-se o "Acidente" cujas sequelas se arrastam até agora, III Milênio. Grato fico por sua opinião tão "patológica".
Olinto Alves SimõesHá 6 anos CuritibaLuis Alfredo duMar, bom dia. Concordo com você em GNG. Entendi como bastante petulante a atitude que tomei como comentarista da Entrevista de Jacques Roubaud, mas devo confessar que..., também..., "gostei pra caramba". Risos. Abraço.
Olinto Alves SimõesHá 6 anos CuritibaMarcílio Dias de Jansen, bom dia. Inteligência é um atributo que todos têm. O problema é que uns a desenvolvem, outros não. Inteligência é mais ou menos como um músculo. Se você o exercita, ele cresce, caso contrário, murcha. Ah..., também tem inteligência quem procura boa leitura. Grato por ler-me. Abraço.
Olinto Alves SimõesHá 6 anos CuritibaEugênio de Lima, bom dia. Poesia só foi luxo em épocas imperiais, Fora dos palacetes ela se chamava, "Liberdade". Havia liberdade na teta da ama de leite, Que alimentava o bebê branco. Havia liberdade na cama do senhor branco, E a mucama negra o deliciava sem leite na teta. Havia Poesia quando o jovem branco, Reconhecia na Ama de Leite a Mãe, E via na mulher que o parira..., Uma pessoa da Nobreza. Quão Nobre é a Liberdade da Poesia !
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