
Matéria resgatada do grande jornal AGORA SANTA-INÊS, sob autorização.
(Fotos e co-produção/ Marioneide Lima / Conteúdo Jornalístico produzido e finalizado pelo Sistema AGORA!)
O escritor, poeta e compositor Salgado Maranhão, que já recebeu da Câmara Municipal de Santa Inês Moção de Aplausos no mês de agosto passado, e inúmeros títulos e homenagens nacionais e internacionais, tendo inclusive vencido vários e importantes concursos literários, foi homenageado na noite da última sexta-feira (25) em São Luís, com a mais alta honraria da Universidade Federal do Maranhão, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa. O jornalista, escritor, poeta, editor dos veículos de comunicação do Sistema AFORA! de Comunicação, e presidente interino da Academia de Letras de Santa Inês, Comendador Clélio Silveira Filho, foi um dos convidados do homenageado para participar da grande solenidade. Impossibilitado de ir, devido a agendas programadas anteriormente, encarregou a professora e assessora artística, Marioneide Lima para representá-lo, ela que também é de Santas Inês e juntamente com o artista plástico DuMara, também santainesense e conhecido nacionalmente, faziam parte da lista de convidados para a solenidade de entrega da importante homenagem. Os registros feitos pela colaboradora emérita do AGORA!, Marioneide, seguem em duas páginas reservadas nesta edição.
PEQUENO RESUMO
Na última sexta-feira, 25 de novembro, o grande poeta e escritor maranhense Salgado Maranhão recebeu das mãos do magnífico reitor da Universidade Federal do Maranhão, professor Doutor Natalino Salgado Filho, o título de Doutor Honoris Causa, pelos seus relevantes serviços prestados a sociedade maranhense como personalidade intelectual, educacional e cultural.
A cerimônia foi realizada no Palácio Cristo Rei no Centro Histórico da capital maranhense, e teve presença de membros da Academia Maranhense de Letras; De parte do corpo docente da UFMA; também de parentes e amigos do Poeta Salgado Maranhão, como os amigos Joel DuMara (artista plástico), e a professora e assessora artística Marioneide Lima.
Salgado Maranhão saudou a todos os presentes com uma de suas obras primas que define muito bem sua trajetória de vida, bem como esse momento:
ABOIO
Quem olha na minha cara
já sabe de onde eu vim
pela moldura do rosto
e a pele de amendoim
só não conhece os verões
que eu trago dentro de mim.
A vida desde pequeno
sempre cavei no meu chão
da raiz da planta ao fruto
fazendo calos na mão
eu aprendi matemática
descaroçando algodão.
Carcarás, aboios, lendas,
são minha história e destino
tudo que a vida me deu
é tudo que agora ensino,
na quebrada do tambor
eu sou velho e sou menino.
(Salgado Maranhão)
QUEM É SALGADO MARANHÃO?
José Salgado Santos, ou simplesmente Salgado Maranhão (Caxias, 1953) é um poeta e compositor brasileiro maranhense que nasceu no povoado de Canabrava das Moças, e desde cedo auxiliou os pais na lavoura. Foi alfabetizado tardiamente aos 15 anos. E o gosto pela poesia veio com os trovadores e as rodas de viola que eram feitas em sua casa, confessou o poeta, que aos 20 anos se mudaria definitivamente para o Rio de Janeiro. Antes passou pelo Piauí, Teresina, onde conheceu o poeta tropicalista Torquato Neto e de quem recebeu o nome poético de batismo Salgado Maranhão.
José Salgado Santos é filho temporão do comerciante Moacyr dos Santos Costa e da camponesa Raimunda Salgado dos Santos. O poeta se define como uma mistura de “casa-grande com senzala”, uma vez que o pai pertencia à elite maranhense e a mãe era descendente de escravos. Terminaria sendo criado pela mãe, que se separou do marido afirmando que tinha uma missão com o filho. O município de Caxias, no Maranhão, onde nasceu, também serviu de berço para autores como Gonçalves Dias e Coelho Neto.
No Rio de Janeiro, chega a 9 de abril de 1973, e passa a estudar Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica, curso que nunca chegara a concluir. Compositor-letrista, possui mais de 50 músicas gravadas por vários artistas como Amelinha, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Rosa Marya Colin, Vital Farias, Zizi Possi, Ivan Lins.
Como poeta afirma não ganhar dinheiro com poesia, mas já foi traduzido para o inglês, alemão, italiano, francês, sueco, e em breve, japonês. Vive de palestras que ministra pelo Brasil e mundo a fora. Já esteve a convite em mais de 100 universidades americanas como Harvard e Yale, onde sua poesia virou objeto de estudo.
"Nos EUA, um livro de poemas pode valer como uma monografia. Aqui [no Brasil] você faz um curso de letras e não sai poeta. Ao contrário, às vezes você embota." - Salgado Maranhão.
Em 1999, recebeu com o livro "Mural de Ventos" o Prêmio Jabuti, o maior prêmio literário do Brasil. Venceu em 2011 com o livro A cor da palavra,o prêmio da Academia Brasileira de Letras, na categoria poesia. Em 2016, o mais novo livro "Ópera de Nãos" foi premiado pelo Prêmio Jabuti, lhe concedendo o segundo título desta premiação na sua carreira.
Ebulição da Escravatura (antologia poética, 1978);
Encontros com a Civilização Brasileira (poemas e ensaios)
Aboio ou a Saga do Nordestino em Busca da Terra Prometida (cordel, 1984);
Os Punhos da Serpente (1989)
Palávora (1985)
O Beijo da Fera (1996)
Mural de Ventos (1998, Prêmio Jabuti 1999)
Sol sanguíneo(2002)
Solo de gaveta(2005)
A pelagem da tigra (2009)
A Cor da Palavra (2010)
Ópera de Nãos (2015, Prêmio Jabuti 2016)
Avessos avulsos (2016)
A sagração dos lobos (2017)
A casca mítica (2019)
Pedra de encantaria (2021)
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