"Muito interessante a ideia dos biblionívoros Patricia Peck Pinheiro e Romulo Pinheiro. Eles compartilham no Instagram os livros mais especiais da biblioteca pessoal de Patrícia. Uma ideia muito interessante. Por isso, hoje, escolhida para compor nossa seção "Textos Escolhidos". Só temos a parebenizar os idealizadores dessa e de centenas de outras publicações congêneres que só engrandecem, dignificam e ensinam a geração mais nova sobre o valor da literatura brasileira". Jornalista Mhario Lincoln (SJPSLZ-1015-MA), editor-chefe da Plataforma Facetubes.com.br, cujo lema é também levar mais longe o produto final do pensamento literário, artístico e musical de nossa gente.
A foto é original da publicação no instagram
Alumbramentos. Manuel Bandeira. 1960. Edição Dinamene. Primeira edição. Desenhos do expressionista francês Marcel Gromaire. (Biblioteca Peck Pinheiro). Tiragem de 200 exemplares; sendo este um dos 50 destinados ao autor, autografado e dedicado: "A Neusa, lembrança do alumbrado. Rio, 1960".
Uma pérola da bibliofilia brasileira, criada por um apaixonado pelos livros e pela arte da impressão.
O baiano Pedro Moacir Maia foi um professor de letras, poeta diletante e bibliófilo que deixou uma contribuição enorme para o mundo dos livros artesanais de alta qualidade, ao criar a Coleção/Edição Dinamene na década de 50. Nome perfeito: Dinamene, a musa de Camões.
Sem fins comerciais, Pedro escolhia autores e textos que mais gostava e produzia pequenas obras de arte, como esta mostrada aqui.
Nas palavras dele:
"A tiragem era sempre pequena e limitada, de cem exemplares. Apenas um livro chegou a duzentos, foi uma antologia de poemas de amor de Manuel Bandeira que intitulei 'Alumbramentos'. Fiz uma edição de quarenta poemas de amor e submeti a Bandeira vários títulos possíveis - ele escolheu Alumbramento. Então coloquei no plural o título da minha antologia. Foi o último livro que eu fiz na Bahia, antes de ir para o exterior."
Anos depois, Salvador Monteiro, amigo de Pedro, pegou o título e criou a "Edições Alumbramento", com publicações maravilhosas - inclusive a segunda edição deste, com os mesmos poemas.
Para encerrar, o trecho do colofão* onde Pedro Moacir Maia se despede da impressão no Brasil:
"... sendo a XVI e última Edição Dinamene - livros de qualidade em tiragens limitadas - iniciativa de um amador da poesia e de tipografia que a manteve por quatro anos nesta cidade." (de Salvador)
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NOTA DO EDITOR DO FACETUBES
Dicionário: Oxford Languages
*Colifão: substantivo masculino
1. nos manuscritos e nos incunábulos medievais, nota final que fornece referências sobre a obra e indicações relativas à sua autoria, transcrição, impressão, lugar e data de sua feitura.
2.nos livros atuais, inscrição final onde o tipógrafo indica a data e o lugar da feitura da obra.