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Texto emocionante de Edomir Martins de Oliveira: "Obrigado Mestre Orlando Leite!"

Do livro inédito: "A PAZ NA LINHA DA VIDA"

07/12/2022 às 19h18 Atualizada em 12/12/2022 às 09h51
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir de Oliveira/Orlando Leite
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Drs Edomir de Oliveira e Orlando Leite
Drs Edomir de Oliveira e Orlando Leite

Edomir Martins de Oliveira, vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira – APB

 

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CAPÍTULO VI 

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UMA HOMENAGEM PÓSTUMA POR GRATIDÃO

 

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Professor Orlando José da Silveira Leite, da Tradicional Faculdade de Direito de São Luís –MA titular da disciplina Teoria Geral do Estado, tinha pelo ensino o seu sacerdócio. Todos os alunos esperavam com ansiedade, chegar a sua vez, para que fosse ele seu professor

 

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Quando se candidatou ao concurso para ocupar a cátedra acima mencionada, defendeu sua tese com incomum brilhantismo. O auditório estava repleto de autoridades, alunos e ex-alunos, entre os quais eu estava como “calouro” da Faculdade.

 

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Foi aí, naquela hora, que minha admiração e respeito por ele nasceu. Em toda a Faculdade, quando dele se falava, era comum as referências de que se tratava de um excelente professor.

 

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Fui aluno do Prof. Orlando Leite, aquele brilhante mestre, e sempre saia de suas aulas enriquecido por ver que ele as ilustrava com excelentes citações de autores franceses, ingleses, alemães e até latinos.

 

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Dizia sempre que o Latim não poderia, nem deveria ser retirado do Curso de Direito, em virtude da grande contribuição para os cursos jurídicos. Citava nomes ilustres de oradores e filósofos gregos e romanos, que contribuíram muito para a formação dos Cursos Universitários, como Cicero, Platão, Aristóteles, Sócrates, Ovídio e tantos outros, e passava a fazer citações de vários textos em Latim que enriqueciam suas aulas. Dava-me um prazer enorme ser seu aluno, o que me levava a ser participativo das aulas, buscando esclarecimentos quando entendia necessário, e isso estimulava ao estudo do Direito cada vez mais.

 

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De certa feita, fui surpreendido por um telefonema do Mestre Orlando que me convidava para examinar um vestibular com ele. Já estava graduado em Direito e recebi este convite como um prêmio de graduação. Dizia que estava bem lembrado da minha participação em sala de aula, e meu rendimento escolar o estimulara a fazer o convite. Disse-me que ficaria muito feliz se eu aceitasse.

 

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Prof. Edomir Martins de Oliveira.

Fiquei exultante com o seu telefonema, e disse-lhe que trabalhar ao seu lado seria um honroso convite.  Faria de tudo para não o decepcionar. E ele me envaideceu muito quando disse que tinha a certeza que eu não o decepcionaria. A porta estava aberta para o inicio profissional na área jurídica. 

 

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O homenageado nesta crônica, além de professor universitário, foi Deputado Estadual e Líder da Bancada Majoritária na Assembleia Legislativa; foi Assessor Especial de S. Exa. O Governador do Estado à época; Procurador Geral da Justiça no Maranhão; Procurador junto ao Tribunal de Contas do Estado e Conselheiro Estadual de Educação.  Aqui abro um parêntesis para lembrar que tal era o reconhecimento aos seus méritos como orador e intelectual, que se dizia: ”ninguém faz um discurso sem ouvir a opinião do Dr. Orlando Leite”.

 

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Foi nesse belo navio que naveguei “por mares nunca dantes navegados” (citando Luís Vaz de Camões), experimentando o sabor da cultura do grande Mestre Prof. Orlando Leite. Em uma dessas participações do convívio salutar com o Brilhante Professor recebi outro convite dele. Agora seria para elaborar um Manual de Direito Público e Privado que servisse de orientação a quem desejasse fazer concurso para Delegado de Polícia, o que fiz prazerosamente.

 

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 Assim, minha vida prosseguia. Debaixo desse guarda-chuva de cultura caminhei muitos anos e fui me habituando a viver mais, a cada dia, o Magistério que eu já vinha fazendo a passos lentos. 

 

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20.11.1913 foi ano em que nasceu Orlando José da Silveira Leite, uma autêntica no exercício de suas atividades profissionais. Tudo que fez em sua trajetória de vida, levou-o a ingressar no Panteão dos homens ilustres que fizeram a história do Maranhão. 

 

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Depois de aposentado, visitei-o várias vezes, quer por iniciativa própria, quer atendendo ao seu chamado.

 

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Fiquei com excelente relacionamento com toda a família, ressaltando a figura de Da. Maria da Conceição Leite, sua esposa, uma senhora extraordinária e dos filhos que até hoje mantenho, Maria Célia, Antônio Carlos, José Orlando, Luís Fernando, Maria Zélia, José Márcio e José Maria. Por ocasião dos seus 100 anos de nascimento, fui convidado pelos familiares para fazer um discurso fazendo aquele registro, convite que aceitei com muito prazer e sentindo-me honrado.

 

Prof. Orlando Leite em várias fotos cedidas pela filha, Dra. Maria Zélia Leite Oliveira

Participei da Missa de 100 anos do seu nascimento, onde o Ritual da Missa fazia constar “Um Século: Muitas Histórias” onde a Igreja estava repleta dos seus amigos e admiradores e, particularmente, dos seus familiares, fazendo-se ouvir discursos de peso relembrando o nobre Mestre.

 

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Um dia, fui informado por um seu familiar que ele houvera sido acometido de um AVC e estava internado na Santa Casa de Misericórdia do Maranhão, onde vinha sendo atendido e acompanhado por médico da família, independente da assistência dos demais médicos do Hospital, nomes respeitados no quadro de profissionais do Estado.

 

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Aos 15 dias do mês de abril de 1989, fechou os olhos para sempre, vindo a falecer no Hospital Santa Casa de Misericórdia do Maranhão, vítima do mal que o tinha acometido. O corpo foi velado no Hospital Português do Maranhão. À hora do enterro várias vozes se sucederam fazendo homenagens póstumas àquele que subira para encontrar-se com nosso Deus. Um nome que jamais seria esquecido.

 

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Ser-lhe-ei eternamente grato enquanto vivo eu for, porque foi através dele que, merecendo sua confiança, comecei a minha carreira profissional na área jurídica.

 

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Obrigado Mestre Orlando José da Silveira Leite!

 

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Jurandi LimaHá 4 anos Banco do Brasil aposentado/MaranhãoLouvado seja, príncipe Edomir. Uma escrita escorreita falando de um homem escorreito.
Joaquim AleluiaHá 4 anos Coroatá MAAs pessoas deveriam muito mais conviver com suas memórias. Infelizmente no Maranhão, muita coisa carece de história. Por exemplo, o professor Orlando deveria ter um espaço maior dentro da Academia Maranhense de Letras Jurídicas e do próprio Instituto Histórico e Geográfico. É uma memória que não deve se perder ao longo do tempo. Mas o Maranhão deixa de cultuar os seus para cultar estrangeiros que pouco ou nada fizeram.
João Santos AclenHá 4 anos CanadáProfessor Edomir. Leio este grandioso trabalho na internet do meu amigo Mario Lincoln (ele nem se lembra de mim) e encontro esse grandioso trabalho do grande mestre Orlando. Morei muitos anos na Rua da Alegria. E essas palavras só elevam ainda mais a minha estima por esse grande maranhense. A Zélia é uma mulher linda. Como fala bem e como escreve bem. Abraços e saudades de minha terra.
Leônidas CaldasHá 4 anos SluisZélia, salve! Gratidão é sentimento nobre. O Edomir foi maravilhoso reconhecendo a inteligência, erudição e grande preparo intelectual do nosso querido e inesqueçível Orlando. Assim, está de parabéns o ex-aluno do primo Orlando! Ah! Quanta saudade de meu pai e seu inseparável amigo Orlando ! Abcs
Vitória RégiaHá 4 anos Sluis: Zélia querida, tudo o que Edomir disse é verdade a respeito do eminente Professor Orlando Leite. Realmente emocionante e muito bem escrito tudo o que ele expôs.
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Edomir Martins de Oliveira
Sobre o blog/coluna
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