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São Luís - fundada por franceses e colonizada por portugueses: saiba se você tem emitido opinião errada ou acertada sobre o tema

Autor: ANTONIO NOBERTO, Doutor 'Honoris Causa' em História pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes

04/03/2023 às 11h24
Por: Mhario Lincoln Fonte: Antonio Noberto
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Antonio Noberto
Antonio Noberto

Foto: Antonio Noberto e o francês Jean-Marie Collin fazendo a entrega ao então governador do Maranhão José Reinaldo Tavares, do brasão recém-descoberto de Daniel de la Touche, fundador de São Luís.

 

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*Antonio Noberto

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Faz um século que a fundação francesa de São Luís é alvo de criticas por parte de alguns intelectuais defensores da colonização e da causa portuguesa. Nas ultimas décadas, com o declínio do império e do legado francês em todo o mundo, as críticas à herança gaulesa tomou corpo considerável. A acidez das maledicências, no entanto, não são uma maldade pura e simples, mas parte de um rito de destruição das últimas colunas de um império findante para abrir espaço aos reinos sucessores. É por este prisma e fazendo esta leitura superior que a presença francesa no Brasil devem ser observada. É olhando por cima que conseguiremos enxergar melhor e ver o todo, e não o contrário, mirando apenas o específico como alguns fazem. Um dos assuntos levantados nos ultimos dias sobre este tema é se a semelhança entre algumas partes do centro histórico de São Luís do Maranhão e alguns logradouros e casarões de Lisboa não seriam uma prova de que a fundação da capital maranhense seria portuguesa. Tal pensamento é semelhante ao "mico" de perguntar a uma mulher com uns quilinhos a mais se a mesma está grávida de cinco meses. O erro nos remete ao sábio adágio popular que nos adverte que "as aparências enganam" ou ainda: "De longe, toda montanha é azul".

 

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O pós-guerra trouxe um rearranjamento geopolítico e econômico mundial, onde o império europeu saiu enfraquecido com a submissão francesa ao exército de Hitler e ao enfraquecimento econômico britânico. Por outro lado, a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra foi o ponto chave para a ascensão de um novo império mundial. Desde então o que se viu foi o declínio do idioma e da influência francesa em todo o mundo incentivados pela força do nascente império ianque.

 

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Isto posto, é mister analisar aqui no Brasil as transformações dos topônimos observadas nas ultimas décadas, a exemplo da Base Naval do Rifoles, marco inicial do bairro do Alecrim, que nas últimas décadas teve o nome alterado para Base Naval do Natal. Outra descaracterização é a Rua Paris, primeiro logradouro do Brasil setentrional, na cidade de Viçosa do Ceará, onde onde os franceses Charles Des Vaux e Adolphe de Montville fundaram (por volta de 1590) e mantiveram uma espécie de colônia francesa na Serra da Ibiapaba. A rua Paris teve o nome alterado para José Siqueira, restando a rua Pedra Lipse, que da acesso à igrejinha do Céu. O que vem acontecendo no Maranhão é apenas a continuação da dilapidação do legado estrangeiro no Brasil. 

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As pessoas de conhecimento e boa fé sabem quão grande foi a obra civilizatória dos franceses no Maranhão. A boa convivência e o investimento inicial foi largamente superior às demais fundações  portuguesas no Brasil observadas entre os anos mil e quinhentos e e mil e seiscentos, quando a imensa maioria dos marcos fundacionais à época era apenas missas rezadas sob uma árvore ou quando muito fortalezas de pau-à-pique. A herança dos franceses em São Luís, por outro lado, foi algo suficiente e muito superior às fundações portuguesas observadas país a fora. 

 

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Sobre a semelhança da arquitetura lusa e ludovicense, engana-se quem confunde fundação (nascimento) com colonização (crescimento). Arquitetura diz respeito ao séculos seguintes ao momento fundacional e não ao século XVII (anos mil e seiscentos).

O que existe do período fundacional de São Luís (1612 a 1650) é muito pouco. De arquitetura não sobrou quase nada (ainda existem as balizas francesas: praça do forte - Praça Pedro II; "fonte de água límpida" - Fonte do Ribeirão, praia do Estaleiro, etc; o traçado espanhol da capital, pelo engenheiro Frias de Mesquita, etc)... No mais, as construções que vemos hoje começaram de 1770 em diante, após o boom econômico advindo com a implantação da Cia de Comércio do Grão Pará e Maranhão. Nada da nossa arquitetura é do período fundacional. Quase tudo é do Século das luzes (XVIII) e do do século do Luxo (XIX). Mas muito antes de tudo isso foram os franceses que desbravaram com sucesso a região ainda nos idos anos mil e quinhentos. Os portugueses até que tentaram, mas sem sucumbiram em naufrágios e nas poucas posses dos donatários das capitanias hereditárias.

 

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Foram os franceses que, no alvorecer dos anos mil e seiscentos puseram o nome na capital tomando emprestado o nome do rei francês Luís XIII e do rei Santo Luís IX.

 

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À vista disto, a arquitetura de São Luís representa a colonização portuguesa. Fato! Mas a escolha do nome e da localização da cidade coube aos súditos de Sua Majestade o Rei francês.

 

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No mais, as críticas descabidas e insistentes à fundação francesa da capital maranhense diz mais respeito às tentativas de destruir definitivamente o que sobrou do império francês e ao desejo da ganância política  e econômica de diminuir o as balizas da civilização para empobrecer intelectualmente a sociedade mundial (note que fazem o mesmo com a Atenas brasileira) e, com isto, "comprar" fácil e conquistar sem resistência o que ainda existe de belo e de civilização neste belo mundo nos legado pelo Criador.

A gente se vê!

Original do texto. (Noberto, Antonio).

 

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*Escritor, membro-fundador e ex-presidente da Academia Ludovicense de Letras - ALL, embaixador da Paz (Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos - OMDDH), Doutor Honoris Causa em História pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes - FEBACLA. membro-fundador da AVLA, idealizador e curador da exposição França Equinocial para sempre. Membro do Conselho da Fundação Sousândrade, 2⁰ vice-presidente da Cruz Vermelha no Maranhão, presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Maranhão.

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João EwertonHá 3 anos São LuisConcordo com quase todas as colocações feitas pelo senhor Norberto, mas não vejo mérito nenhum em ter sido colônia francesa ou portuguesa, duas nações que agiram como gafanhotos, explorando as riquezas, destruindo as fontes e gerando miseráveis, haja vista a Guiana Francesa, Senegal, o Haiti, etc. embora os portugueses tenham sido os piores que por aqui passaram, pois, além de ladrões, eram assassinos cruéis e racistas, que dizimaram índios e massacraram os negros, tudo sob a benção da santa(?)
JAIMEHá 3 anos BSB/DFPresidente APB/FACETUBES, TRÁS A BAILA, DOIS VALIOSOS TEMAS. PARABENIZO EM ESPECIAL, POR MAIS UM SHOW DE PUBLICAÇÃO, ONDE O FATO HISTÓRICO É MUITO PALPITANTE. APLAUSOS DE PÉ, AOS DOIS MAGNIFICOS TEMAS !!!
Lulinha de Maracanã.Há 3 anos MaracanãOi Noberto, a fundação da cidade de SLZ pelos franceses trouxe como virtude a diversidade cultural, que é uma das características mais marcantes da cidade até hoje.
Isso prova tudo. Marlene Guimarães. Nascida em Peritoró-MAHá 3 anos Universidade do GoiásGente, é claro. A maior virtude de São Luís do Maranhão ter sido fundada pelos franceses é a sua diversidade cultural e arquitetônica. Quando os franceses fundaram a cidade em 1612, trouxeram consigo suas tradições, língua e costumes, que se misturaram com a cultura local dos índios e portugueses. Essa mistura resultou em uma cidade com uma rica herança cultural e arquitetônica, que pode ser vista em seus edifícios históricos, na culinária, nas festas populares, nas danças e na música.
Lauande, Silvia de CastroHá 3 anos Perita em Urbanismo, Brasília, DFPor que, professor Norberto, nomes de ruas e bairros de São Luís têm origem portuguesa, como Rua Portugal, Rua da Cruz, Rua do Sol, Rua de Nazaré, entre outros? PORQUE A história de São Luís é amplamente documentada em registros históricos, incluindo livros, manuscritos, diários, cartas e mapas, que mostram claramente a presença portuguesa na região. Todos esses elementos, combinados, fornecem evidências sólidas da fundação por Portugal.
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