
Joizacawpy Costa é professora, poeta e escritora.
"Maria Firmina embalada pela escrita de um romance envolvendo uma história de amor complicada diante do contexto que se passava numa sociedade opressora nos traz muitos aspectos que devem ser considerados, inclusive a consciência da opressão da figura feminina. Ao longo da história a romancista oferece complexidade aos personagens negros, que podem ser visualizados nas lembranças de Antero sobre a África e a liberdade antes do cativeiro". (JC).
"162 Anos de Úrsula" é uma abordagem feita pelo doutor Charles “Chuck” Martin nome renomado no cenário internacional literário, que nos faz repensar e reencontrar elementos muitas vezes despercebidos.
Recebi uma pérola das mãos de Mhario Lincoln e meus olhos ávidos por enxergar algo mais, se entregaram de imediato ao mergulho da leitura. Ele me apresentou a visão de Charles “Chuck” Martin, em "Úrsula". Considero essa leitura como parte integrante de meu crescimento em relação a essa abordagem, que proporcionou a mim dispor de uma visão diferenciada no âmbito da construção literária de Maria Firmina dos Reis.
Maria Firmina foi apresentada a Martin pelo próprio nascimento Morais Filho, cuja responsabilidade de resgatar Maria Firmina foi uma de suas missões.
Martim aborda um grande diferencial em Úrsula, que ganhou um capítulo em sua tese de doutorado “The Desminstrelization of Black Figures in Fiction” ( A desminstrelização de Figuras Negras na Ficção). Na abordagem de Charles ele enfatiza o fato de os personagens negros terem voz, pensamento coerente, sendo a escravidão um detalhe cruel que, para Firmina, não aboliu a dimensão humana dos negros escravizados. Esse aspecto também lhe foi mostrado por Morais Filho.
Em sua tese, em um capitulo que trata sobre Maria Firmina enfatizando os personagens de Úrsula, ele traz à tona aspectos muito diferentes do que normalmente se tem como referência as figuras negras na literatura da época, como por exemplo, o erro de mostrá-los numa caricatura limitada como um ser bobo, uma emblemática de um ser desprezível, porém contente. No romance de Firmina ele encontra a complexidade de personagens negros que imprimem nessa literatura um perfil humano que tem sua visão social dos acontecimentos que rompe o limite de falas contendo apenas palavras soltas e frases desconexas.
Maria Firmina embalada pela escrita de um romance envolvendo uma história de amor complicada diante do contexto que se passava numa sociedade opressora nos traz muitos aspectos que devem ser considerados, inclusive a consciência da opressão da figura feminina. Ao longo da história a romancista oferece complexidade aos personagens negros, que podem ser visualizados nas lembranças de Antero sobre a África e a liberdade antes do cativeiro.
Outro diferencial expresso na obra enfatizado por Martin em relação aos personagens de Úrsula é a construção da linguagem alcançando um nível que oferece variados recursos em uma fala mais elaborada dos personagens negros que muitos outros autores da época não mostraram.
Diante dessa visão percebe-se que Firmina foi pioneira em vários aspectos inclusive sendo a primeira romancista brasileira, mas para além da quebra desses paradigmas que já conhecemos de seu pioneirismo, segundo Martin ela ousa também no que se refere a padrões de academia limitado a uma marca cultural vivenciada em sua época e ultrapassa limites dando complexidade aos personagens negros, proporcionando-lhes uma amplitude humana capaz de estabelecer e manter falas coerentes e conscientes dos contextos aos quais estavam inseridos.
Essa abordagem diferenciada feita por Martin nos oferece uma abertura ainda maior de um leque de possibilidade de análise de uma obra tão rica da literatura brasileira.
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Para ler a íntegra desse artigo significativo na história da compreensão de "Úrsula", fora de todos os parâmetros até então estudados, basta seguir o link original:
Siga o link: https://mariafirmina.org.br/wp-content/uploads/2020/08/Maranhenses.pdf
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Vivencie também as ilustrações belíssimas de CAROLINA ITZÁ.
Quem é Carolina Itzá, por ela mesma:
"Eu me criei desenhando e cheguei aqui! Sou grafiteira, artista visual, educadora e dançarina. A pertença nas rodas e movimentos de encontro que pulsam nas beiras faz com que a gana de criar seja a força que me guia. Em 2004, fiz minha primeira exposição no Sarau da Cooperifa e de lá pra cá muita água rolou, levando as telas dentro do busão e enchendo os botecos de cores, quintais, obras abandonadas, muros e ruas. Em 2016, através da residência artística autônoma Útero Urbe, viajei por diversos territórios em Abya Yala discutindo pertencimento, corpo-território, pautada no desenvolvimento de uma pedagogia feminina e espalhando grafites pelas cidades. Ainda faço parte das coletivas Periferia Segue Sangrando, Fala Guerreira e sou brincante do Grupo Cupuaçu. Minhas obras são registros malokêros de quem carrega o sentimento na sola do pé."
Foto e texto originais de: (https://www.ebairroweb.com.br/lojista/pagina/Carolina%20ITZ%C3%81/49)
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