
Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA – APB
LÉA – MINHA ÚNICA IRMÃ
(NUNCA SERÁS ESQUECIDA)
Saudade, palavra doce,
que traduz tanto amargor!
Saudade é como se fosse
espinho cheirando a flor!
Bastos Tigre (Poeta e Trovador)
Perfil da homenageada desta crônica – Antes de entrar propriamente no texto sobre a homenagem póstuma que presto à minha irmã Maria Léa, traço seu perfil.
Foi uma filha exemplar! Sempre queria resolver as dificuldades de todo o mundo. Tinha prazer em ver a mesa farta, cercada dos familiares que ela tanto amava. Esposa que sempre esteve ao lado do marido e que contribuiu para o seu sucesso! Adorável mãe, que sempre incentivou os filhos nos estudos e colheu os frutos desses incentivos. Tia acolhedora, que adorava seus sobrinhos e divulgava os seus feitos ao seu modo, com o maior orgulho, o que os deixava encabulados.
Era a mulher cheia de energia, que gostava de fazer suas compras nos Supermercados, indo para eles até em cadeira de rodas. Gozava de excelente saúde! Não tomava remédio algum, o que lhe permitia comer o que lhe desse prazer, tais como um torresminho à pururuca, uma picanha gorda etc. que brincava quando falavam que fazia mal. Vivia sorrindo! Esposa dedicadíssima no trato para com o seu marido, Deus a levou primeiro, sendo ele mais velho. Esta era minha amada irmã!!
LEA de repente se transformou em ELA, não porque fosse um anagrama com transposição de letra a nos informar a possibilidade de formar outra. O Diagnóstico conclusivo fora: “paciente portadora de uma doença neurológica para a qual não havia ainda cura - ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica”.
Vamos nos reportar ao ano de 1943, 02 de junho, em que a minha querida irmã Lea nasceu. Era uma linda menina e recebeu o nome de Maria Léa. A criança, na idade própria, fez o curso de alfabetização e prosseguiu sua vida escolar com sucesso, formando-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão.
Casou com Dr. Getúlio Albuquerque e constituíram uma bela família, da qual advieram 3 filhos: Dra. Cláudia Maria, Dr. Getúlio Filho e Dra. Adriana. 0s 3 são profissionais de sucesso. Com seus pendores para o magistério, Léa fez concurso para a Universidade Federal do Maranhão, que mais à frente Getúlio fez também. E ambos foram aprovados. Léa ocupou a cadeira de Sociologia no Departamento do mesmo nome; Getúlio, no Departamento de Medicina I.
Dos 3 filhos, somente Dra. Adriana reside em São Luís, desempenhando suas atividades profissionais no Tribunal do Trabalho do Maranhão, 16ª Região, exercendo atualmente as funções de Assessora de Desembargador Federal do Trabalho, e casada com Dr. Sebastião Brito Filho, Cirurgião Vascular. Dra. Cláudia Maria residente em Porto Alegre -RS, aposentada como Promotora de Justiça, dedicando-se agora à Advocacia. Dr. Getúlio Albuquerque Filho, médico Oftalmologista, residindo no ES. Os filhos que moravam longe de São Luís vinham constantemente visitá-la, embora em visitas de curta demora para não comprometerem suas atividades profissionais.
Léa, como mãe, avó, tia, irmã, cunhada, foi muito admirada e amada por toda a familia e pelos amigos que conquistou. Pelo amor que dedicou aos seus sobrinhos meu filho Edomir Júnior e sua esposa Maria Eliza, mesmo morando em Vitória-ES, vinham visitá-la, vez por outra. Ana Emilia minha filha, estava junto ao seu lado, constantemente. Até meus netos a chamavam de avó. Éramos irmãos muito unidos. Eu e Elma íamos, diariamente, visitá-la, o que lhe fazia feliz.
Léa era uma mulher evangélica, e nos deu verdadeiro exemplo de fé, não se queixava, nem questionava porque Deus a deixara ficar naquele estado. Nas doenças Alzheimer e Parkinson que vitimaram Getulio, Maria Léa foi de uma dedicação e zelo extraordinário, enquanto pôde. Hoje ele está com acompanhamento médico e assistência do Home Care. Essas doenças pouparam o meu cunhado de ver o sofrimento de Léa e a partida de sua amada esposa.
Maria Léa comemorou seu o último Natal com alegria cercada do amor de toda a sua familia, inclusive dos que moravam distantes. Todos nós nos reunimos em torno dela, que com seu sorriso demonstrava alegria.
A doença vinha se acentuando progressivamente. Todos os tratamentos que a Medicina podia oferecer estavam ao seu alcance; consultas médicas por video, com especialistas no exterior, foram em vão. A doença era rara, sem cura.
Adriana dava notícias diariamente para os irmãos. Quando viu a gravidade acentuada os chamou. O último a chegar, Getúlio Filho, acompanhado da sua esposa Dra. Shirlene, e seu filho Eduardo, tiveram a felicidade de vê-la com vida. Após 01h30, Lea fechou os olhos para não mais abri-los, levando consigo ainda o Salmo 23 que lhe recitei. Partira com a memória lucida, e olhando para todos, como que se despedindo. Era 02h30 do dia 11.02. Léa partiu para os braços Senhor, deixando todos nós irmanados no sofrimento.
No velório, uma mensagem do Pastor Antônio Fontes lembrou aos presentes que um belo exemplo de vida Lea nos dera, pois, como cristã, nunca se queixara de nada. Logo após, usei da palavra para agradecer aos presentes a solidariedade e as coroas de flores ofertadas, ocasião em que disse serem os desígnios de Deus insondáveis, porque, eu 6 anos mais velho, inexplicavelmente, Deus a chamara primeiro.
No cemitério, quando o corpo desceu ao túmulo, ainda se ouviu um choro discreto dos filhos; eu não tive condições emocionais para ver a colocação da lápide. Afastei-me e fiquei mais tranquilo quando me lembrei que nos acalenta a Bíblia Sagrada, quando nos ensina: “Preciosa é, à vista do Senhor, a morte dos seus Santos”. Salmos 116:15. Repousa em paz minha irmã querida! Levando o nosso amor contigo.
Léa não mais se vai ver
Esta é a realidade
Não a vamos esquecer
Ficará sempre a saudade
(Edomir Martins de Oliveira)
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