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Qual é o papel da "Mãe", na vasta literatura mundial? Nos movimentos de classe? Na execução da plena maternidade?

Será que essas questões levantam novos olhares sobre a natureza da escolha, a autonomia e a liberdade individual em relação às expectativas culturais e sociais?

13/05/2023 às 19h04 Atualizada em 13/05/2023 às 21h27
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Facetubes
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Arte: MHL/LEXICA
Arte: MHL/LEXICA

Da redação do Facetubes

NE: como poderíamos explorar questões éticas e morais sobre a natureza do cuidado e da responsabilidade e como esses conceitos se relacionam com a maternidade? Poderemos questionar as hierarquias morais implícitas nas expectativas culturais em relação à maternidade e como essas expectativas reforçam as desigualdades sociais? Em relação ao desejo materno para lutar em prol de uma coletividade, podemos pensar em termos de prioridades e valores pessoais? Por que para algumas mulheres, os valores e objetivos coletivos podem ser mais importantes do que o desejo de ser mãe? Outras mulheres podem ver a maternidade como parte de sua luta por uma sociedade mais justa e, portanto, orientam seus filhos para essa luta? E por fim, será que essas questões levantam novos olhares sobre a natureza da escolha, a autonomia e a liberdade individual em relação às expectativas culturais e sociais? Foi com base nisso que pedi a esquipe do Facetubes para pesquisar sobre importantes obras literárias que tenham a figura feminina - ou a mãe, mesmo - como protagonista. Uma pesquisa que resultou em algumas surpresas interessantes. (Mhario Lincoln, editor-chefe do www.facetubes.com.br).

 

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Que tal começarmos com A DEUSA ÍSIS?

 

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ART: MHL.

DEUSA ÍSIS

Sim, a deusa Isis, na mitologia egípcia, teve um filho chamado Hórus. Ele era visto como um deus dos céus e um protetor dos faraós, enquanto sua mãe era uma figura importante na religião egípcia como deusa da maternidade, da fertilidade, do amor e da magia. Isis era adorada em todo o Egito e sua imagem era frequentemente representada em esculturas, pinturas e hieróglifos. Ela era considerada uma das mais importantes deusas do panteão egípcio, e seu culto se espalhou para outras regiões do mundo antigo, incluindo a Grécia e a Roma. O papel de Isis como mãe, era central na mitologia e na religião egípcia. Ela era frequentemente associada à figura da mãe protetora, que oferecia conforto e segurança aos seus filhos. Isso fez com que ela fosse amplamente adorada como uma deusa da maternidade, especialmente durante o parto, e também como uma guardiã dos mortos. Os egípcios acreditavam que Isis era capaz de curar doenças e proteger contra o mal, o que a tornou uma das divindades mais populares entre o povo. Ela era frequentemente invocada em orações e oferendas, e sua imagem era exibida em muitos lugares sagrados.

 

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LIVROS

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"O Sol é para Todos"

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"O Sol é para Todos" é um clássico da literatura norte-americana que foi publicado em 1960 pela autora Harper Lee. O livro é considerado uma obra-prima e um retrato fiel do racismo e da injustiça social nos Estados Unidos durante os anos 1930. Além disso, é interessante notar que o livro também apresenta uma forte figura materna como uma das protagonistas principais da história, narrada pela perspectiva de Scout Finch, uma menina de seis anos que vive com seu pai Atticus, um advogado local, e seu irmão mais velho Jem, na cidade fictícia de Maycomb, no Alabama. O livro gira em torno do julgamento de Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca, e do impacto que esse julgamento tem na pequena cidade de Maycomb. Apesar de Atticus ser o personagem principal do livro, é interessante notar que a figura materna também desempenha um papel fundamental na história. A mãe de Scout e Jem, conhecida apenas como "a senhora Finch", morreu quando Scout era muito jovem, mas sua presença é sentida em toda a história. A senhora Finch é frequentemente mencionada por Atticus e é descrita como uma mulher forte e corajosa, que teve um grande impacto em sua família e na comunidade em geral. Além disso, o livro também apresenta outras figuras maternas importantes, como Calpúrnia, a governanta negra da família Finch, que desempenha um papel importante na criação dos filhos de Atticus, e Miss Maudie, uma vizinha amorosa que sempre está lá para aconselhar Scout e Jem quando eles precisam. Já leu? Pois saiba que é uma obra clássica  e atemporal.

 

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REDOMA DE VIDRO

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"A Redoma de Vidro" de Sylvia Plath é uma obra que mergulha no universo íntimo de uma jovem escritora em busca de sua própria identidade e felicidade. O romance autobiográfico narra a história de Esther Greenwood, uma jovem que enfrenta as pressões sociais e a opressão para seguir seu próprio caminho. A trama se passa nos anos 1950, época em que as mulheres eram destinadas a um único papel na sociedade: o de esposa e mãe. Esther, no entanto, deseja mais. Ela sonha em ser escritora, ter uma carreira e independência financeira. No entanto, sua jornada é marcada por desafios, inseguranças e traumas. O livro é um retrato impressionante da angústia e da alienação que muitas mulheres enfrentaram na época. Plath usa uma linguagem poética e vívida para criar uma atmosfera densa e opressiva, reforçando a sensação de que Esther está presa em uma redoma de vidro, incapaz de se libertar das expectativas da sociedade. "A Redoma de Vidro" é um livro poderoso que permanece relevante até hoje. Plath captura a luta de muitas mulheres em busca de sua própria identidade e o conflito entre a pressão social e o desejo pessoal.

 

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A MÃE DE TODAS AS PERGUNTAS

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"A Mãe de Todas as Perguntas" de Rebecca Solnit é uma obra-prima feminista que explora a figura materna em diversas facetas e traça reflexões profundas sobre a criação de filhos e a luta contra o patriarcado. Solnit apresenta uma crítica contundente à sociedade que coloca as mulheres em uma posição subordinada e define a maternidade como um papel essencial para as mulheres, e mostra como isso impacta a vida das mulheres em geral. Solnit nos apresenta uma série de ensaios envolvendo temas como a objetificação das mulheres, a sexualidade feminina, a cultura do estupro, a violência doméstica e o feminismo. Com uma prosa clara e poderosa, Solnit questiona a visão convencional da figura materna como uma entidade idealizada e incansável, e explora a complexidade das suas  experiências Ela desafia a ideia de que a maternidade é o papel mais importante de uma mulher e explica como essa expectativa afeta as mulheres. Além disso, Solnit oferece uma análise profunda do patriarcado, mostrando como a maternidade é usada para manter as mulheres subjugadas e como a violência contra as mulheres é uma expressão direta do poder masculino. Ela argumenta que as mulheres têm o direito de serem vistas como seres humanos completos e autônomos, em vez de apenas como mães ou objetos sexuais. E mais: corajosamente tece fortes comentários sobre diferentes temas do feminismo: misoginia, violência contra a mulher, fragilidade masculina, o histórico recente de piadas sobre estupro e outros mais. Cristalinos e contundentes, seus ensaios devolvem ao tema toda a gravidade ele merece, sem abrir mão da poesia e do humor característicos de sua escrita.

 

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O AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA

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"O Amor nos Tempos do Cólera", do escritor colombiano Gabriel García Márquez, é um romance rico em detalhes e com personagens complexos e cativantes. A história é ambientada em uma cidade caribenha, onde os costumes e tradições são tão ricos e coloridos quanto o cenário. O protagonista, Florentino Ariza, é um homem que espera por cinquenta anos para conquistar o amor de sua vida, Fermina Daza. O livro é um retrato vívido da sociedade latino-americana no início do século XX, com todas as suas idiossincrasias e desigualdades. Tránsito Ariza, a mãe de Florentino, é uma personagem interessante e forte, que desafia as convenções sociais para ajudar seu filho a conquistar o amor verdadeiro. A escrita de García Márquez é rica e poética, cheia de metáforas e imagens sensoriais. O autor utiliza uma narrativa não-linear, saltando para trás e para frente no tempo, criando uma sensação de continuidade entre o passado e o presente. Embora seja um romance sobre amor e paixão, "O Amor nos Tempos do Cólera" é também uma história sobre a morte e o envelhecimento. O título do livro é uma metáfora da epidemia de cólera que assolou a cidade e um lembrete de que o amor, assim como a vida, é vulnerável e efêmero. "O Amor nos Tempos do Cólera" é um romance magistral de Gabriel García Márquez, que capta a essência da sociedade latino-americana em um período de mudanças e incertezas. A história de amor de Florentino e Fermina é apenas um fio na tapeçaria complexa e fascinante deste livro.

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