
SALGADO MARANHÃO EM WASHINGTON
*Mhario Lincoln c/o jornal "Agora/Santa Inês".
Na visita que o poeta Salgado Maranhão fez a Washington, em maio passado, ele prestou um longo depoimento sobre a sua vida e trajetória literária para os anais da Biblioteca do Congresso americano.
Desta forma, José Salgado Santos, o poeta Salgado Maranhão, passa a integrar uma lista valiosíssima que contém nomes, por exemplo, como dos poetas Octavio Paz, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges e dos brasileiros Manuel Bandeira, Carlos Drummond e Vinicius de Moraes.
É de suma importância integrar um dos mais famosos arquivos do Mundo, o da Biblioteca do Congresso americano, local onde se encontra um acervo gigantesca de livros revistas, jornais e documentos em geral sob a permanente atenção de 3.000 funcionários.
Mutatis Mutandi, há quem considere a Biblioteca do Congresso detentora da mesma importância da Biblioteca de Constantinopla. Aliás, só para ilustrar, foi uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, com um vasto acervo de obras literárias, científicas e filosóficas. Sua importância para o mundo moderno é inestimável, pois muitas das obras que foram preservadas lá foram fundamentais para o desenvolvimento da cultura ocidental. Infelizmente, a biblioteca foi destruída em 1204 durante a Quarta Cruzada, um evento triste e lamentável que resultou na perda de muitas obras valiosas. As que foram preservadas, continua a influenciar a cultura e a ciência até hoje, da mesma forma em que a Biblioteca do Congresso americano, que hoje tem, em sua arcádia insofismável, o DNA poético de José Salgado Maranhão.
Sobre isso, diz o poeta nascido maranhense e tornado universal, como ensinou Leon Tolstói:
"Não é difícil imaginar como me senti diante desse imenso complexo. Eu, o que nasceu na casa de sapê, sem livros, eu o que aos 9 anos já trabalhava na lavoura do Maranhão de outrora; eu, aquele que chegou a Teresina (PI), aos 15, analfabeto; aquele que roubava tempo do trabalho para ler Camões, Gonçalves Dias, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira, na Biblioteca Anísio Brito. Eu, que, meio século depois, sou recebido com horas pela diretora do setor de línguas latinas, onde só dois brasileiros estão gravados na estrutura da sala imponente: o pintor modernista Cândido Portinari (com quatro belíssimos painéis) e o poeta romântico maranhense, Antônio Gonçalves Dias (no alto da parede ao lado de Cervantes)", assevera Salgado.
Claro que é realmente emocionante participar de um momento histórico desses, no decorrer da oitava viagem literária de Salgado Maranhão pelo mundo acadêmico dos Estados Unidos, na companhia do seu tradutor Alexis Levitin, em que muitos momentos foram de grande comoção afetiva, como o da recepção da brasileira Lilian Barbosa, do departamento de literatura brasileira, na riquíssima University of Virgínia, que trouxe até caruru e vatapá para agradar o poeta do seu país.
E finaliza Salgado Maranhão: "O valor simbólico do que me aconteceu na famosa biblioteca americana, tem um sabor inesquecível, porque confirma o sonho do menino pobre do sertão, que usava canetas de gravetos no bolso remendado".
A BIBLIOTECA DO CONGRESSO AMERICANO
A Biblioteca do Congresso foi inaugurada em 24 de abril de 1800, quando o presidente norte-americano John Adams assinou um Ato do Congresso transferindo a sede de governo nacional da Filadélfia para a nova capital federal, Washington, DC. A biblioteca original integrava o novo Capitólio até agosto de 1814, quando as tropas invasoras britânicas atearam fogo no prédio do Capitólio, destruindo o conteúdo da pequena biblioteca, que continha então apenas três mil volumes.
Logo em seguida, o ex-presidente Thomas Jefferson ofereceu sua biblioteca pessoal como reposição. Jefferson tinha gasto 50 anos acumulando livros armazenando tudo que fosse relacionado aos Estados Unidos, e tudo que fosse raro e valioso em cada ciência. Sua biblioteca foi considerada uma das melhores dos Estados Unidos. O conceito Jeffersoniano de universalidade, a crença de que todos os assuntos são importantes para a biblioteca legislativa dos Estados Unidos, é a filosofia e a lógica por trás das políticas de coleção da biblioteca do congresso nos dias atuais.
Na foto 03, Salgado diante do arquivo onde estão guardados os depoimentos dos grandes nomes das literaturas de línguas latinas e onde também ficará o seu.
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