Passeio pela rua do Egito, em São Luís do Maranhão
*Judith Bogéa Bittencourt
A rua do Egito, possui duas versões para sua denominação, numa Ruben Almeida, corroborado por Domingos Vieira Filho, nos revela que o nome advém da Capela e Convento de Santo Antonio, o Mouro, nascido no Egito, na outra versão Nonnato Masson, em uma de suas crônicas, narra que o nome provém de uma rapariga de excepcional formosura chamada Joaninha do Egito que nessa rua residia numa casinha conforme citado no Índice Toponímico do Centro Histórico de São Luís de Magnólia Bandeira de Melo.
Essa antiga rua, localizada no Centro da cidade de São Luís do Maranhão, entre a Avenida Beira-Mar e a Praça João Lisboa na confluência das ruas do Sol e a de Nazaré, teve seu início com o Sítio de Monsieur de Pineau, onde atualmente está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, antigo Carmo Velho, nesse tempo, narrado por Astolfo Serra, “a cidade era bem pequena; quase selvagem”. É conhecida, por narrativa, a existência da Capela de Nossa Senhora dos Afogados, construção de taipa que ficava situada no local onde foi construído, em 1963, o antigo prédio do Banco do Estado do Maranhão (BEM), atual Edifício João Castelo Ribeiro Gonçalves, na rua do Egito n. 283, onde está instalado, no 10º andar, o Mirante da Cidade de São Luís.
Rua do Egito, São Luís, MA em 7.05.2023. (Crédito da autora).
No início do século XIX a rua do Egito era um local, com sobrados e bela vista, que descortinava do alto o Cais da Sagração e o pântano que viria a se transformar na Avenida Beira-Mar. Até entre 1939 e 1941 eram esses sobrados revestidos com azulejos, e tinham dois a três pavimentos, alguns com mirantes. Foram demolidos e assim eliminado um espaço de tradição histórica arquitetônica de São Luís. A rua do Egito foi alargada e, logo após, construídos prédios, no estilo bangalô, que permanecem ainda hoje. Dois dos seus antigos sobrados permanecem, o solar Cesário Veras, n. 106, de canto com o beco do Couto ou rua Zaque Pedro e o prédio do Teatro da Cidade de São Luís, n. 241, antigo cine Roxy de canto com o beco da Sé ou rua Dom Francisco; o prédio do Colégio Santa Tereza, antes prédio do Recolhimento teve sua fachada reformada, em 1940, pelas Irmãs Dorotéias.
Rua do Egito em 1908, por Gaudencio Cunha do Álbum da Photographia União
Rua do Egito, com prédios da “Escola Onze de Agôsto” depois sede do Poder Legislativo e o solar Cesário Veras, onde foi oferecido banqueta ao Lord Cochrane, Marques do Maranhão. Texto de Mário Martins Meireles e fotografia de Roberto Torres do Livro “São Luís, Cidade dos Azulejos” Gráfica TUPY Ltda. 1964. p. 22. 94p e o atual prédio ocupado pelo Centro Administrativo do Tribunal de Justiça do Maranhão, foto da autora em jun. de 2022.
Ao passear no Centro de São Luís e percorrer a rua do Egito, neste mês de maio de 2023, foi observado um bangalô, de canto com a rua Isaac Martins, identificado "Castelo da Sucata", local de um antigo sobrado, demolido na década de 40 e construído um bangalô no seu lugar, onde, como anunciado na placa, há sobras ou sucatas, numa rua, no Centro de São Luís que termina na Praça João Lisboa. Haja São João! Lisboa, também, na Praça do Comércio, do outro lado do Atlântico.
Nossa "Cidade dos Azulejos e de Porcelana" está triste, azulejos e porcelanas lamentam, os becos ficam mais escuros e as travessas negam as passagens; ruas com casarões a desabar sucateados, desconhecem proprietários; desapropriados esses prédios talvez os donos ou seus descendentes apareçam.
A cidade de Innsbruck, capital de Tirol, na Áustria, conserva feições do século X em harmonia com as contemporâneas, com seus casarões, rios e montanhas com suas margens e áreas desocupadas como no Brasil estabelece o Código Florestal, mas não é cumprido. A cidade de Tirol possui metade da população da cidade de São Luís, em 1950, então com 119.785 habitantes. Hoje, com alegria, seus versos poeta Mhario Lincoln, lá vicejam em alemão.
Judith Bogéa Bittencourt,
Auditora e Perita Ambiental (Universidade Gama Filho)
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