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"A MOSCA E O LIVRO", rápidas considerações acerca das primeiras fotos criadas por IA, pelo professor José Neres

"(...) o professor Neres agora agrega mais uma ferramenta importante para sua adaptação e evolução aos novos tempos e entrou na cápsula orbital do futuro. Usando a IA a favor da ampliação de conhecimentos".

06/06/2023 às 12h07
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/José Neres
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Arte: José Neres
Arte: José Neres

*Mhario Lincoln

 

Há uma profundidade filosófica imensa nessa arte produzida pelo amigo José Neres. Uma mosca sobrevoa um livro clássico. Aliás, um prato cheio porque sempre gostei da matéria -“descrição” -, quando fazia o primário. 

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Pois bem! Diante dessa imagem eu notei algo importante: a transitoriedade da mosca e a eternização do livro. E essa hermenêutica gerou duas abordagens interessantes: 

 

A primeira, seria uma perspectiva existencialista onde a transitoriedade da mosca pode ser vista como uma metáfora da condição humana. 

 

A mosca, em sua breve existência, simboliza a efemeridade da vida e a inevitabilidade da morte. Ela representa a fragilidade e a impermanência de tudo o que existe. A intuição de José Neres ao criar essa ilustração, imediatamente, me remeteu a uma provocação existencial, lembrando-nos de nossa própria finitude.

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Já o livro, enquanto obra imortal, representa a busca pela permanência e imortalidade. Por isso que eu sempre digo que a imortalidade das Academias não está na pessoa; mas sim, na imortalidade da obra, criada por ela. 

Porque ao escrever um livro, o autor busca transcender sua própria efemeridade, deixando uma obra que pode perdurar ao longo do tempo, fazendo com que o livro se torne uma manifestação concreta de um legado duradouro, superando a brevidade da vida individual.

Uma segunda perspectiva, seria a cultural, onde a transitoriedade da mosca e a eternização do livro podem ser analisadas em termos da relação entre natureza e cultura. A mosca, como parte do mundo natural, representa, como já disse, a efemeridade e a contingência da vida orgânica. Ela está sujeita às leis da biologia e, portanto, sua existência é fugaz.

 

Por outro lado, o livro, como um produto da cultura humana, transcende as limitações da natureza. Ele é criado a partir do conhecimento, das ideias e da criatividade humana, e é capaz de preservar e transmitir informações ao longo do tempo. Dessa forma, o livro se torna uma manifestação da capacidade humana de criar algo duradouro e imortalizar o conhecimento.

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E mais forte ainda é ter que aceitar o simbolismo da mosca sobrevoando o livro, como um lembrete de que, apesar de nossas realizações culturais, estamos sempre sujeitos à natureza e às limitações da vida. Ou seja: a transitoriedade da mosca e a eternidade do livro nos convida a refletir sobre questões fundamentais da existência humana, como a finitude, a busca de sentido e a relação entre natureza e cultura.

 

Arte: José Neres/IA.

Com pertinência a essa segunda imagem, também criada na sequência pelo professor, poeta e escritor José Neres, usando Inteligência Artificial, também é interessante. Ele, com certeza usou "prompts" inteligentes para gerar esse trabalho. Então o que pode significar?

 

Na minha interpretação surreal, essa imagem de uma mosca lendo um livro, a priori, espanta, porém, é uma representação da inversão de papéis ou da transgressão de fronteiras entre diferentes formas de vida. 

 

Poderia ser um lembrete de que nossas percepções e interpretações do mundo são construídas a partir de nossas próprias perspectivas e limitações, além de levar a uma reflexão sobre a natureza da consciência e da inteligência, questionando o que entendemos sobre outras espécies. 

 

Vale também voar sobre esse mundo da criação artificial, lembrando que uma conhecida universidade americana já havia feito estudos sobre o comportamento e a cognição de insetos, à procura de algo que mais se aproximasse de instintos mentais pertinentes a animais vertebrados. Não conseguiu.

 

Mas, no campo da ficção, existem alguns exemplos de filmes que exploraram a ideia de insetos com inteligência avançada. Um deles, muita gente assistiu: "A Mosca" (The Fly), de 1986, dirigido por David Cronenberg, no qual um cientista acidentalmente se funde com uma mosca, adquirindo características físicas e mentais das duas espécies. 

 

Enfim, vale ressaltar, o trabalho do professor Neres que, agora, agrega mais uma ferramenta importante para sua adaptação e evolução aos novos tempos, usando a IA a favor da ampliação de seus conhecimentos e de quem os usa também. O professor Neres, assim, não se limita a Gregos e Troianos. Já tem assento garantido na cápsula orbital do futuro. Parabéns.

 

Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira.

 

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Marcão Bom GuriHá 3 anos Pelotas RGSFalar em mosca, em um contexto geral, lembro da música do Raul que faz uma ironia ao período da Ditadura Militar, na qual a mosca é a representação do próprio Raul, que sempre incomodou os policiais e a censura, tão presentes naquela época. Tanto que o roqueiro e seu grande parceiro de composições, Paulo Coelho, foram levados ao Dops – Departamento de Ordem Política e Social – para explicarem o que significava, de fato, Krig-ha, Bandolo!, nome do primeiro trabalho solo do cantor.
Pastor Pedro Salazar Há 3 anos São Luís maAssim como a mosca morta produz mau cheiro e estraga o perfume, também um pouco de insensatez pesa mais que a sabedoria e a honra. 2 O coração do sábio se inclina para o bem, mas o coração do tolo, para o mal. José teu coração é do bem.
Professor Carlos Eduardo Pompeu de CarvalhoHá 3 anos Catedrático/UspA literatura, a forma de escrever, a construção de uma prosa moderna passa literalmente por esse ângulo. Algo rápido, insinuante e analítico. Tudo isso gerado por uma foto surreal. Eis a mágica do texto moderno.
José Machado FilhoHá 3 anos Brasília dfOutro dia li na Folha um texto "A fala da Mosca". Achei muito interessante, nada comparado a este texto do Mhario Lincoln. Eu também fiz descrição e em hipótese nenhuma chegaria a esse estágio. Orgulhoso de você amigo Mhario. Parabéns a você professor Neres por sair em busca do moderno, sem esquecer a "glória do passado", como bem disse Tribuzi, na ONU.
José de Ribamar Gonçalves Há 3 anos Rio de Janeiro Prof. Neres. O bem mais precioso da atualidade é a informação e o que se faz com ela. Sendo assim, ao se perceber tudo o que mudou dos anos 2000 para cá, a única certeza que se pode ter é que a evolução não acabou. Pelo contrário, ela está apenas começando, e sobreviverão a ela os que conseguirem tomar as melhores decisões a partir dos dados disponíveis a todos.
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