Da redação do Facetubes
A nossa equipe tem se dedicado à leitura do argentino Julio Cortázar, com o intuito de compreender, em especial, sua perspectiva sobre a contradição do oficial, a estética disruptiva e as novas formas de abordar o mito do Labirinto de Creta e do Minotauro, frente ao herói Teseu.
Em uma das críticas que nos debruçamos, sustenta-se que Cortázar é perspicaz ao desmitificar Teseu, despojando-o de seu título de herói e conferindo-lhe o de Gangster, o emissário do governo, neste caso, o próprio pai do Minotauro, o rei Minos. O Minotauro possuía um nome, Asterion, uma voz além do temor que invocava. Ele não era um assassino, não era um monstro. Era apenas alguém diferente, uma disrupção nos cânones da normalidade, uma mancha que deveria ser aprisionada e, posteriormente, aniquilada.
Teseu, o herói da Grécia, fundador de Atenas, segundo a visão do escritor argentino, adentrou o labirinto com o intuito de assassinar um ser inocente. Herói ou assassino? A história, não apenas no caso de Teseu, mas de tantos outros, oferece apenas razões e circunstâncias, títulos e alcunhas que não possuem significado; heróis e homens de glória com as mãos manchadas de sangue.
Teseu partiu de Atenas com uma narrativa: no labirinto reside um monstro que exige tributos de sangue. Ao adentrar no labirinto e superá-lo, graças ao fio de Ariadne, ele descobre que o monstro não havia matado ninguém, descobre que o Minotauro vivia alegremente ao lado dos jovens enviados como sacrifícios. Teseu estava ciente disso. Contudo, ele assassina o Minotauro, que mal se defende, surpreendido pela violência e pela vileza do mundo exterior.
E agora, nobre leitor, sob essa luz, Teseu continua sendo um herói? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo. Será de grande valia conhecer sua perspectiva.
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