
Redação do Facetubes
Nota do Editor: O ano era 2016. Vivíamos uma efervescência pluriritmica na cidade de Curitiba-Paraná. Vida movimentada nas áreas de literatura, arte e música. A Feira do Poeta e o Teatro TUC, ebuliam em apresentações. Foi nessa época que o poeta e imortal APB Osmarosman Aedo teve a ideia de reunir três dos grandes nomes das artes, de forma nada convencional, para um rápido bate-papo. Foi tão salutar esse encontro que hoje, anos depois, essa rápida conversa tornou-se histórica. A Plataforma do Facetubes, sucessora do Portal Aqui Brasil, resgata hoje essa publicação meritória e mostra para um novo público leitor, tudo o que aconteceu naquele 20 de março de 2016. O dia estava sorridente. O outono tinha se iniciado entre 1h e 1h30m daquela tarde. à mesa do atelier de Nani Silveira, café e bolinhos de chuva com canela. O tempo em Curitiba é uma agradável (ou não) surpresa, pois as variações nas condições do tempo são rápidas mesclando-se dias nos quais as características assemelham-se ao verão ou, tipicamente, de inverno com formações de sistemas meteorológicos e fortes instabilidades. E lá estava Osmarosman Aedo com as artistas Nani Silveira, Cyntia Kava e Birgitte Tummler, nascida em Copenhague, Dinamarca, distribuindo cordialidade e bom humor. Portanto, juntas, elas proliferaram ideias. Todas muito bem anotadas por Osmarosman e transformadas nesta conversa que vamos ler agora. (Mhario Lincoln).
Abaixo:
OSMAROSMAN, BIRGITTE, NANI E CYNTIA
O acervo artístico do ser humano, na maioria das vezes, vai além da compreensão humana devido ser tão rico em detalhes, criação e harmonia. Dia desses (era 20 de março de 2016), convidado para um evento, de nome VARANDA CULUTRAL, no Nani Silveira Ateliê, que envolvia quase todos os seguimentos da arte, me deparei com um arsenal de talentos e obras tão severamente enobrecidos que ao debruçar-me naquelas janelas de conhecimento histórico. Um privilégio de saborear como eu, essas meninas, que, em telas, brincam sério.
ANO DE 2016
1 - Artista Plástica Cyntia Kava: técnica acrílica sobre tela e espatulada:
OSMAROSMAN AEDO: Cyntia Kava, origem?
C.K- Sou brasileira com a peculiar mistura brasileira, parte da Itália e outra da Áustria com essa tropicalidade espetacular que tem o Brasil.
OA- Então você já sofre a influência para desenvolver suas obras. Essa técnica acrílica espatulada já vem de berço, de herança, certo?
C.K- Minha parte artística é bem evidente, pois, a família de meu pai os 'Kavas' e a da minha mãe, sempre foram voltados à arte: fotografia, música, pintura, cinema etc. A três anos atrás me vi também dentro da arte usando-a também como terapia. Saí de uma formação bem técnica, Engenharia Civil com desenhos técnicos, fachadas e estruturas, coisa bem prática, para outra técnica onde o uso é mais do interno... Da alma entende?
OA - Como terapia, de onde conseguiu tirar fórmulas e inspirações em que você criou um escudo para defesa das intempéries e tentativas de energias negativas?
C.K- Não! Ao contrário, quanto mais intenso melhor. Porque se analisado do meu ponto de vista, vejo que há falta de: mais buscas, mais entendimento e mais comunicação entre a arte e suas formas de expressão, o que tem muito a ver com o que estamos sentindo naquele momento em que criamos ou que em visita, vemos a obra de um artista. Tento passar essa segurança de elementos que ajude, como a mim, enfrentar nossos fantasmas com a leitura que as imagens provocam quando analisadas por nós. Isto como terapia é, gratificante. Por isso sinto falta de mais incentivo, oportunidades de exposições, mais procura por parte das pessoas, de que mais artistas exponham suas obras fantásticas e que indiretamente ou diretamente ajudem as pessoas enfrentar seus dilemas, seus problemas.
OA - Percebendo essa dificuldade de espaço, oportunidades, investimentos, você tem alguma ideia de como o artista pode fazer para atrair mais pessoas até suas obras?
C.K- Algumas ideias me chegam à vontade, para estimular arte nas pessoas que ainda estão em fase de estruturação, mas em prévia, deixo minha opinião: as pessoas precisam ler mais, se informar mais, visitar Museus pois estes oferecem de tudo um pouco com uma riqueza extraordinária de história universal, cinema, teatro etc.. E buscar mais dentro das histórias, a arte em geral. A arte colore vidas, dá vida a ambientes, transforma a energia das pessoas e faz um bem enorme aos olhos com leituras de imagens fenomenais.
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2 - Artista Plástica Nani Silveira, técnica acrílico sobre tela.
OSMAROSMAN AEDO: Que importância tem a arte em sua vida?
N.S- Importância de transformação, poder de transformação, de melhorar a autoestima. Você poder acordar e ter ou manter suas forças para realizar seus sonhos é de uma riqueza sem fim. A arte tem a magia da cura... Curar feridas, alegrar vidas e manter-nos eternos defensores e eternos aprendizes de seus ensinamentos também é luz.
OA - Sempre pensamos que a arte não trás benefícios econômicos, pessoais e espirituais, mas você deixou claro, que seu maior prazer é ter todos esses atributos dentro de você auxiliando-a para que crie cada vez melhor. Você tem alguma ligação direta com algum pintor ou criador que tivesse dado esta visão para que tivesse ímpeto para desenvolver seu trabalho?
N.S - Alguns. Nas obras recentes em questão pictórica e pincelada o Andrew Salgado, Mas o que me influenciou bastante na questão da sensibilidade de mexer com os elementos além das cores, foi conhecer o trabalho da Lígia Clark, pois busco as sensações no que crio e que traduza na tela o que tem muito a ver com o projeto que estou desenvolvendo onde busco também, entendimento dos cegos... Toque, relevo, texturas, tato etc. Então a Lígia Clark é quem me inspira seguir nessa trajetória. Não quero só mostrar beleza em minhas telas, mas sensações e intimidade com a alma, para as pessoas.
OA - Hoje vocês provocaram nesse encontro cultural, uma vernissage, deixando um grande leque para os visitantes do quão enorme e infinda é a criatividade e o talento do artista. Que prazer sente neste momento?
N.S - Nossa! Estou muito feliz porque essa troca de conhecimento entre artista e público me realiza. Poder compartilhar e conhecer gente nova, pessoas interessantes, obras novas, artistas novos, não tem preço é a recompensa do “ compartilhar”.
OA - Responsável pelo Nani Silveira Ateliê, local aonde também acontece oficinas e oferece espaço para quem está começando, que mensagem você pode deixar então, para quem procura uma oportunidade assim?
N.S- (Riso de timidez)... Que diria pra quem está começando? Olha! Coragem para experimentar e ousadia para continuar mesmo com as dificuldades isso é fundamental, e se dar mais, construir chances e aproveitar todas as oportunidades. É isso aí.
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3 - Artista Plástica Birgitte Tummler, tímida, pessoa de alma brilhante e talento primoroso.
OSMAROSMAN AEDO- Fale-me um pouco sobre sua arte?
B.T- Quando me defini como aquela que queria vivenciar a arte em suas diversas facetas, - por ser muito jovem - , não interiorizei com o valor devido. Tinha saído de uma Escola Técnica e imediatamente entrei para Belas Artes. Como estava naquele momento entre Céu e Terra e ainda tinha preconceitos com a arte, a impressão era de que não daria em nada e eu por outro lado precisava sobreviver. Foram esses impasses, essas dúvidas, e ainda mais que eu não acreditava até então no meu potencial artístico que me impediram de mergulhar de cabeça na arte, já naquela época. Passado alguns anos voltei a ela mesmo passeando por outros meios de sobrevivência. E aqui estou. É uma necessidade.
OA - O que a levou a retomar e continuar até o momento, envolvida com a arte e hoje?
B.T- Maturidade. A maturidade me deu todas as respostas me tirando da indecisão e me mostrando o caminho que eu sabia existia, mas relutava... Por medo talvez (rs). Sinto-me mais feliz e hoje digo para meus filhos: façam o que vcs gostam com dedicação e terão a fórmula de como viver feliz.
OA - De onde você tirou a ideia de escrever como você escreve uma tela? (Pra mim um artista não só pinta uma tela, ele escreve na tela o que sente).
B.T- Poxa! Gostei desse comparativo... Escrever uma tela veja que coisa mais linda né? Foi assim... Eu já gostava de usar a caneta esferográfica, eu via luz nos rabiscos que eu fazia e sempre que me pegava distraída a inspiração batia e... Lá estava eu, rabiscando alguma coisa... o que me fazia muito bem, apesar de monocromático, o uso naquele momento da caneta esferográfica. Talvez por isto, uso muito a “esfero” como um de meus estilos. Um dia, vivenciando um momento muito especial de natureza e a beleza exótica que dela emergia, peguei duas canetas de cores diferentes e misturando-as no desenho descobri os efeitos que me davam: deixavam de ser monocromáticos e ganhavam uma nova vida - brilhante! Adicionando mais cores pude sentir a grandeza finalmente, do que emitia minha alma. Mergulhei dentro de um sonho tão magnífico que decidi expor esse sonho no papel para que as pessoas também mergulhassem e sentissem o que sinto quando crio – bem, acho que ao final, esse é o objetivo de toda obra de arte, não?
OA - Não deixa de não ser resultado de sonhos todo momento artístico. A partir do momento que um artista concebe sua arte, ele coloca um sonho em evidência e vejo claramente que você superou todos seus impasses através de suas belíssimas obras. Você tem algo a dizer para quem tentará fazer esse estudo “esfero” onde o pincel é uma simples caneta esferográfica?
B.T - Diria: deixem sua imaginação brincar com sua capacidade e inspirados verão que traços também se transformam. E que nada regule ou desvie seu pensamento. Uma vez empunhado de uma caneta, permita-se ir a caminhos antes inexplorados.
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Osmarosman Aedo. Após finalizar o grupo de perguntas individuais, foram lançadas perguntas para as três artistas:
OA - Nani Silveira, uma palavra que te defina, outra que defina sua obra?
N.S (ainda tímida- ai meu deus rs)- Amizade. Minha obra? – Ai acho que é Emoção também.
OA- Birgitte Tummler:
B.T- Emoção. Minha obra, é... Profundidade.
OA - Cyntia Kava?
C.K (amm... peraí!) - Perseverança. Minha obra? Ãnn... Emoção.
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Mais três perguntas em uníssono:
OA - Foi válido se conhecerem e misturarem conhecimentos e obras e tornarem-se numa só?
As três: ‘Cê quer que eu responda o que por acaso? Kkk foi assim / Já aconteceu a alguns anos atrás/ Então não é um encon.../Nessa vida em outras não sei é al /É uma riqueza / Ãn é.. São é foi um encontro forte / e... Bom. A impressão é que nunca nos separamos eu vejo mais a Bir bem menos que vejo a Nani, mesmo assim parece que somos uma só / E kk...somos.
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