
Foto: Na recente visita que o professor Edomir Martins de Oliveira fez a Galeria Trapiche, em São Luís-Ma, para doar 50 exemplares de seu mais recente livro de contos, foi imediatamente cercado pelos visitantes que lá estavam e deu autógrafos. O convite foi feito pelo diretor da galeria, ator performista Uimar Junior, autor desta selfie.
Capítulo XIV
PERDAS OU GANHOS?
Edomir Martins de Oliveira
Um jovem casal de italianos casou e veio passar sua lua de mel no Brasil, pois havia obtido informações sobre as belezas do Rio de Janeiro, onde o Cristo Redentor, de braços abertos, recebe os visitantes, e o Pão de Açúcar, com seus bondinhos elétricos encantam.
Conheceram a praia de Copacabana, tão decantada no mundo inteiro; e as demais belas praias do Rio de Janeiro e outros pontos turísticos, que lhes extasiaram.
Deixando o Rio de Janeiro, partiram com destino ao Espírito Santo, ficando encantados com Vitória, capital do estado, pois lhes pareceu que estavam a contemplar o Rio de Janeiro em miniatura.
Em seguida, viajaram para o interior, objetivo principal da visita ao Estado, onde residiam os patrícios que lhes convidaram. Com muita alegria, foram recepcionados pelos amigos e outros da comunidade italiana, que ali se estabeleceram há muitos anos.
Conhecendo as propriedades dos anfitriões, vendo a beleza dessa região montanhosa, com suas terras de solo férteis, e o clima ameno, resolveram vir morar nessa região tão bela e propícia para a agricultura, pois eles tinham o “”dna” de agricultores no sangue. Foram orientados pelos amigos a escolherem uma extensão de terra considerada boa para o que quisessem cultivar.
Um capixaba, casado com uma italiana, respondendo a uma indagação dos visitantes que perguntavam: - “Nesta terra, você acha viável a plantação de café”? - “Meu amigo, nesta terra, em se plantando tudo dá”, citando-lhes uma frase de Pero Vaz de Caminha, quando escreveu ao Rei de Portugal, Dom Manoel, vendo a potencialidade do solo brasileiro.
Ficaram logo entusiasmados com o que viram! Entenderam que poderiam passar uma temporada aqui no Brasil; se os resultados não fossem positivos, voltariam para sua terra natal, porém acreditavam no sucesso.
Certa feita, quando namorados, em um passeio a Roma, tinham jogado uma moeda na “Fonte dos Desejos” (Fonte di Trevi) e haviam feito um pedido para que lhes fosse oferecido oportunidade de conhecer o Brasil. O desejo realizou-se, tendo o pedido alcance maior, pois iriam morar no Brasil, lembrou a esposa ao marido.
Ao fim da lua de mel, retornaram a Itália, venderam o que possuíam e voltaram ao Brasil e investiram no interior onde estavam se estabelecendo. Adquiriram suas terras, e começaram a trabalhar! Dentro de pouco tempo, já havia sinais de êxito futuro. Enquanto o cafezal crescia, eles investiram em outras culturas, como milho, bananas, aipim e outros, destacando-se os morangos sumarentos, que a curto prazo davam retorno financeiro.
Anos se passaram! O casal prosperou na cafeicultura principalmente, que era o carro chefe da sua produção agrícola, que se destinou ao mercado consumidor, sendo bem aceito. Eles mantinham contatos constantes com seus pais na Itália e os convidavam para virem para o Espírito Santo, juntos deles. Sentiam falta das suas presenças e dos conselhos de experiência de vida. Aceitariam o convite para quando se aposentassem.
Foi o casal agraciado com uma linda filha, que “crescia em estatura, graça e sabedoria, diante Deus e dos homens’. A criança crescia cercada do amor dos pais e dos “nonnis”, que aposentados, vieram conhecê-la. E, encantados com a sua “nipote”, resolveram fixar residência junto aos seus queridos. Juntar-se-iam à comunidade italiana que ali se firmara há muito tempo.
A jovem, no tempo certo, foi para a capital, Vitória, onde entrou na Universidade, cursando Engenharia. E com seus traços italianos, herdara a beleza da mãe, não só a física como aquelas qualidades morais.
Moça muito educada, e bonita, encontrou-se de certa feita com um jovem advogado estudioso, bonito, de porte atético e promissora carreira, e sobre eles foram disparadas as setas de Cupido. Iniciaram um namoro que prosperou a cada dia.
Ela, com o correr do tempo, foi apresentada aos pais do seu pretendente. Estes, encantados com o comportamento social dela, ficaram felizes com a conquista do filho, que já tendo escolhido sua eleita, dedicou-se mais ainda a ser um jovem responsável com os estudos e trabalho.
Com a proximidade do Natal, e os pais do namorado, vendo que o romance dos jovens cada vez mais se fortalecia, resolveram convidar a moça para passar as festas natalinas junto deles, em uma viagem que fariam nessa época. Eles, então, lhe pergunaram que se mantivessem contato com seus pais e pedissem autorização para essa viagem se concordariam, e a resposta foi sim. Os pais dos jovens já se conheciam e havia bom relacionamente entre as familias.
Quando os pais do namorado visitaram os pais da jovem para pedir o consentimento para que ela pasasse o Natal junto a eles, o pai dela concordou, porque conhecia o comportamento e as qualidades morais do rapaz, que eram irrepreensíveis, bem como de sua familia. Disse que tinha certeza de que estava próximo a perder sua filha, ao que a sua esposa, disse que não havia perdas, só ganhos, pois ela estava lhe trazendo um filho. E que eles juntos haveriam de ser muito felizes como ambas as familias.
E ao final da visita, foi servido um excelente jantar à base de massas à moda italiana, preparadas com muito carinho pela “nonna”, que muito amava sua “nipote” (neta) e o seu futuro neto que lhe conquistara muito por sua delicadeza.
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