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Em 1949, Díaz Varín publicou seu primeiro livro, "Razón de mi ser", elogiado pelos críticos, aproximando-a do Grupo La Mandrágora. Seus poemas, ao longo de sua carreira, revelam a vitalidade e a força de uma poeta comprometida em explorar temas profundos, como a morte, a solidão e o reconhecimento da condição feminina.
Além de sua contribuição como poeta, Díaz Varín também se destacou como jornalista em diversos diários, incluindo El Siglo, La Opinión (onde conheceu Vicente Huidobro), El Extra (onde relatou crimes nos bairros marginais) e La Hora. Sua personalidade polêmica e inclinada à ruptura a uniu a figuras como Enrique Lafourcade e Enrique Lihn, com quem firmou um pacto de sangue marcado por uma tatuagem de uma caveira no braço, simbolizando sua determinação em se opor ao governo que considerava ditatorial.
A poesia de Stella Díaz Varín é uma exploração profunda das complexidades da vida, da morte e da conexão entre os vivos e os que partiram. Seu poema "Dois de novembro", a seguir, oferece uma visão resumida de sua abordagem poética:
Dois de Novembro
Não quero Que meus mortos descansem em paz/Têm a obrigação De estar presentes / Viventes em cada flor que me roubou / Às escondidas / À linha da meia-noite / Quando os vivos à beira da insônia / Jogam os dados / E enfiam sua amargura. / Os exorto a estarem presentes /Em cada pensamento que desvelo.
Não quero que os meus /Esqueçam-me baixo à terra /Os que ali os colocaram /Não resolveram a eternidade. Não quero /Que aos meus mortos os afundem /Os ignorar /Os fazer esquecer /Aqui ou lá / Em qualquer hemisfério.
Obrigo aos meus mortos /Em seu dia. / Os descobertos, os transplantes /Os desnudos /Os levo à superfície /À flor da terra / Onde os estão esperando o ninho da acústica.
Nesse poema, Díaz Varín rejeita a ideia de que os mortos devem permanecer em paz, insistindo que eles devem permanecer vivos na memória dos vivos. Sua poesia é uma evocação poderosa da conexão contínua entre a vida e a morte, uma celebração da presença eterna dos entes queridos na consciência daqueles que ficaram para trás.
Stella Díaz Varín deixou para trás um legado poético que continua a inspirar e provocar reflexões profundas sobre a condição humana e a relação com o além. Sua poesia, como sua personalidade, permanece polêmica e imortal, mantendo seu lugar cativo na história literária do Chile.
QUEM É?
Stella Díaz Varín, uma proeminente poetisa chilena, nasceu em La Serena em 11 de agosto de 1926 e partiu de nosso mundo em Santiago em 13 de junho de 2006, aos 79 anos, vítima de câncer de mama. Sua vida e obra são marcadas por uma personalidade polêmica que se transformou em uma figura emblemática da literatura chilena.
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