
Do Livro: “A PAZ NA LINHA DA VIDA"
Edomir Martins de Oliveira
A CAIXINHA DE PECADOS DO DIÁCONO
Era um homem que se dizia extremamente religioso. Fora eleito Diácono pela congregação que frequentava de há muito, não faltava aos trabalhos da Igreja, indo aos cultos de “doutrina e oração” e não perdia os trabalhos domingueiros. Tinha por hábito alertar a todos para seguirem a Palavra Santa.
As senhoras da Igreja que se enfeitavam com batom vermelho nos lábios, ele as chamava de “minhas irmãs bicos de brasa”, pois isto não era do seu agrado e ele entendia como afronta ao Senhor Deus, “Tudo é vaidade” ensina-nos Eclesiastes. Essa pintura nos lábios é vaidade, e, portanto, as irmãs estão pecando, dizia ele.
Ao lado de tudo isso, acrescentava o fato de que as mulheres da Igreja deveriam dar bom exemplo e não usar muitas joias, pois isso também era vaidade, e não agradava ao Senhor, constituindo-se um mau exemplo, que contaminaria as jovens em formação e que as induziria ao pecado.
Aos jovens, tinha sempre um conselho Bíblico para que evitassem a bebida forte, como nos ensina o apóstolo Paulo em I Timóteo 3:8, “não sejam inclinados a muito vinho”, e era esse o exemplo que ele dava como diácono, acrescentando também aos não jovens que a bebida "só acarretar tristezas".
Com estes aconselhamentos era um homem que se dizia forte e pronto para seguir a palavra de Deus e dar exemplo para as mulheres, homens, jovens de ambos os sexos e aos visitantes que pela primeira vez visitassem a Igreja. Tinha ele, contudo, um grave defeito: se achava o um perfeito crente e guardião do pecado.
Na vida secular, era um exímio vendedor, de habilidade extraordinária! Vendia pulseiras, cordões, anéis, alianças, brincos, e facilitava o pagamento aos seus clientes, oferecendo-lhes pagar em até 5 vezes, com módicos juros. Ao receber novas joias, visitava seus clientes entre os quais muitas irmãs da Igreja.
Sendo ele o pregador de um culto, de certa feita, alertou para o uso das joias que ele considerava vaidade e exibição, e que o Senhor Deus não gostava. Todas as mulheres da Igreja deveriam ser simples e não vaidosas. Vaidade era pecado, e que ele já vinha doutrinando de há muito e ninguém dera atenção.
Após o referido culto, uma senhora da Igreja, que se trajava muito bem, usando suas joias e batom vermelho, e ele a chamara de “bico de brasa” disse-lhe que ainda não entendera porque ia a sua casa oferecer-lhe joias e pedir para comprar sempre mais, que ele facilitaria em módicas prestações, já que era pecado.
– Caríssimo irmão na fé, admira-me muito você repreender-nos como pecadoras, o que nos induz a perguntar-lhe se o senhor não é pior do que nós, pois o senhor sempre nos visita com sua “maletinha cheia de pecados” a vende-los. Por isso pergunto-lhe que é mais pecador? Quem vende ou quem compra os pecados? Ouro não é pecado, meu irmão! O senhor deveria lembrar que o Menino Jesus, como presente dos Magos, recebeu ouro, incenso e mirra. As joias que o povo hebreu recebeu dos egípcios foram usadas nos objetos do Tabernáculo, sendo a Arca, principalmente, muito bem ornada com ouro, levando muitas alegrias.
O diálogo foi encerrado e o vendedor de joias parabenizou a irmã, dizendo-lhe que nunca pensara que ela era tão profunda conhecedora da Bíblia, o que aguçou a sua vaidade. Então, ela se dispôs a ver as novidades e passou a escolher as joias que ele trouxera, fazendo boa opção de compra para seu uso pessoal.
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