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De Edomir Martins de Oliveira: "Recém-casada; e ela foi confundida com vidente"

"(...) um homem bem vestido, dirigiu-se a ela, dizendo-lhe que precisava conversar a sós (...)".

01/03/2024 às 19h13 Atualizada em 02/03/2024 às 16h35
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira/Cartomante
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Arte/IA: MHL
Arte/IA: MHL
 
Do Livro: “-A PAZ NA LINHA DA VIDA" 
 
Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Executivo Nacional da  ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA - APB
 
 
 
 
RECÉM - CASADOS – ELA CONFUNDIDA COM VIDENTE
 
Antes mesmo do casamento, eles haviam combinado que passariam a lua de mel em uma cidade balneária, linda e tranquila, longe dos rumores das cidades grandes, pois um casal recém-casado quer sossego e paz. Alugariam uma casa, onde passariam um mês de férias, e iriam se adaptando à vida de casal.
 
A cidade balneária escolhida vinha exatamente ao encontro dos seus desejos. Foram até lá inicialmente. Havia pouca população, trânsito que não espantava o sossego de ninguém, muitas belezas naturais e praias belíssimas. Foi uma cidade construída em homenagem a um Santo, que diziam as crendices do povo, era mesmo muito milagroso! 
 
Procuraram a Igreja do “Santo Milagroso”, cheios de esperanças para seus dias futuros; prometeram-lhe que se lhes abrisse as portas para o casamento eles lhe seriam devotos. Feita as preces e a promessa, retornaram para a capital e, ansiosamente, ficaram no aguardo do dia marcado para o casamento.
 
A data chegou, eles casaram, indo passar a lua de mel no local aprazível que haviam escolhido, onde praias encantadoras os esperavam. Chegaram à cidade, que estava iluminada por uma lua cheia e uma miríade de estrelas, como a desejar-lhes feliz vida conjugal.  
 
Agora tinham uma promessa a cumprir: ir à Igreja para agradecer ao Santo Padroeiro da Cidade as bênçãos recebidas com a realização do casamento. 
 
Seria difícil alugar uma casa, pois a cidade era pequena, mas desde a primeira visita àquele balneário fizeram contato com uma proprietária, indicada por um amigo, que lhes disse ter dois imóveis, e logo com ela firmaram o contrato verbal de ocupar um deles, mesmo sem olhar o imóvel. Ali passariam a sua lua de mel. A casa, a dona explicou-lhes, era pequena, mas lhes serviria. 
 
Chegados à cidade, foram à Igreja, e, de joelhos em terra, fizeram a sua prece a Deus pelo casamento realizado; rogaram-lhe as bênçãos para que fossem muitos felizes. Mas quando chegaram à casa alugada, a decepção foi grande, pois era tão pequena que não cabia no quarto, senão o que tinha: uma cama de campanha e uma rede. 
 
Pensaram em uma pousada. Foram até lá, mas o proprietário lhes falou que infelizmente não tinha vaga, estava repleta, pois os festejos do Padroeiro eram naquela semana e todas as vagas estavam ocupadas.  Até a praça da Igreja estava repleta de turistas que não tendo para onde ir, fizeram dali repouso noturno, debaixo de música e dança. Foi então que o noivo se lembrou de um amigo que residia ali e o procurou, tendo este lhe oferecido um quarto em sua casa.  
 
Assim passaram sua noite de núpcias. No dia imediato, ela acostumada com os hábitos da cidade se arrumou muito bem. Precisava estar cada dia mais bonita e atraente aos olhos do seu marido, o que dele mereceu muitos elogios. Colocou o Ojá na cabeça, que fora um presente de uma amiga, que ela muito gostara, com rendas nas pontas e com bordados de Richelieu. Agradeceram ao amigo a hospedagem e se despediram. 
 
Saíram à procura de onde fazer o primeiro desjejum como família; encontrado o local, deliciaram-se com um gostoso café com leite, beiju, bolinhos de tapioca, cuscuz e pão. Em seguida, foram passear pela cidade.
  
À hora do almoço, foram em busca de um restaurante próximo, pois a fome já dava seus sinais de presença. Do menu oferecido, escolheram o prato de frutos do mar, que souberam ser o mais escolhido.  
 
O marido queria comprar alguma coisa típica para a esposa; enquanto preparavam a “peixada” à moda local, foi rapidamente fazer a compra, pedindo-lhe que o aguardasse, pois logo voltaria com uma surpresa. Ela ficou tomando um refrigerante enquanto o esperava.
 
Foi, então, que adentrou no restaurante um homem bem vestido, dirigiu-se a ela, dizendo-lhe que precisava conversar a sós. Ela foi ao dono do restaurante e explicou-lhe que aquele homem a importunara e que ele o avisasse que era casada e estava apenas aguardando o seu marido. O dono do restaurante foi falar com o cidadão e este explicou-lhe que com a agitação na praça pela chegada de um circo, soube que havia uma vidente e, quando a viu com o turbante, pensou que era ela, pois estava com problemas e queria saber a solução. Pediu desculpas e se retirou. 
 
Edomir de Oliveira.
Enquanto isso, já se formava fila na porta do restaurante para serem atendidos pela “vidente”, que um “esperto intermediador” já reservava vaga para ser por ela atendido, e o pagamento pelo serviço era no PIX que na verdade era dele mesmo. Porém, ficaram frustrados, quando souberam que ela não era vidente, nem cartomante, nem do circo que ali chegara. Enquanto isso o “esperto” partiu em retirada, correndo, com boa grana em sua conta paga pelos incautos. Como têm pessoas que gostam de ser enganadas!!!   
 
A esposa aceitou as desculpas apresentadas pelo cidadão ao dono do restaurante, complementando, contudo, que não era leitora de cartas nem previa futuro, muito menos artista de circo. Com a chegada do marido ela lhe informou da ocorrência, e este lhe disse: - Se ele tivesse me visto, com certeza teria dito que “eu era a cara de um marido apaixonado pela esposa” -.  Ela, em recompensa pelo que ouvira, levantou-se e o beijou.
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ClaudiaHá 2 anos Porto Alegre Admiro sua criatividade! É sempre muito enriquecedor ler suas crônicas! Se superando a cada dia! Parabéns!
Marieta e Armando Guimarães (ex-sócios da Ocapana)Há 2 anos São PauloUma cronica muito bem elaborada. Nos faz recordar muitas coisas quando visitamos São Luís. especialmente Panaquatiura e São José. Essa cidade é a cara de São José.
Fernanda Há 2 anos São Luís Edomir parabéns pelo texto rico em detalhes. A gente se envolve e viaja em cada parágrafo. Somente os bons escritores conseguem isso. Aplausos!
Totó de Lima SandesHá 2 anos CaxiasEi bichinho danado. Não demora, não. A gente abre isso aqui e não encontra mais tu. Dexa de priguiça. A escrita é boa e inteligente que faz a gente se alegrá. Tenho quase 80 anos e ainda leo sem óculo. Tudinho, seu Edomir. Sabe quem eu sou? Adivinha. Sou padrim de Elizabet Soeiro que foi tua aluna na faculdade de sãoluís. Lembra dela. Ela me manda le e eu leo.
Cotinha sobrinhaHá 2 anos BrasíliaIlustre mestre. Muito boa sua cronica de volta. Faço de conta que leio para tia Cotinha e me lembro que ela dava boas risadas. Amém, pastor.
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Edomir Martins de Oliveira
Sobre o blog/coluna
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