
Nota do Editor. Que orgulho ter o professor Edomir Martins de Oliveira em nossas lides. Vejam a importancia de sua colaboração: a crônica abaixo vem atender a uma preciosa solicitação de leitores de Maceió – AL, feita pela professora Gilmarene Feitosa, onde ela e colegas de escolas estaduais fazem um momento literário nas instituições e nesses momentos, muitas crônicas publicadas neste espaço, escritas pelo professor Edomir, são lidas, estudadas e refletidas em sala de aula. Isso tem um significado imenso para todos nós que fazemos o Facetubes, haja vista ter seu conteúdo discutido e estudado nas salas de aula. Parabéns professor Edomir. Continue conosco.
DOS VERSOS METRIFICADOS AOS VERSOS LIVRES
Edomir Martins de Oliveira
Há poucos dias, o Facetubes, através de matéria do seu editor Mhario Lincoln, intelectual e grande estudioso da literatura pátria, imortal e Embaixador da Paz, trazia-nos uma Antologia organizada pelo poeta piauiense Assis Brasil e nos despertava a lembrança, o poeta Luís Augusto Cassas que honrava e continua honrando o Maranhão, apresentando nova forma de poetar, aplaudida por todos que amam a literatura.
A história registra a presença do grande poeta maranhense Gonçalves Dias, que marcou sua obra pela beleza da introdução do tema indianista. E expandindo suas poesias aos amantes das letras, entre todos aqueles que fazem versos, chegou às “Sextilhas de Frei Antão” que compõem os seus Segundos Cantos e constituem uma série de poemas autônomos encadeados pelo “assunto e pelo estilo”. São heptassílabos, versos de sete sílabas, utilizados na poesia de difícil elaboração.
Gonçalves Dias deixou-nos uma riqueza de poema com o seu “Ainda uma vez Adeus” após encontrar-se pela última vez com sua amada Ana Amélia. Com este poema, fala-nos da força do amor e é apenas um registro dos muitos que produziu na escola romântica, como também conseguiu demonstrar o equilíbrio de temas sentimentais, seu amor à pátria e o saudosismo, com a “Canção do Exílio”, considerado seu mais belo poema na escola romântica.
Seguiu-se a fase dos versos Alexandrinos com suas doze sílabas, com acentuação tônica na 3ª, 6ª, 9ª. e 12ª sílabas, vindo em seguida os decassílabos com suas dez sílabas, também difíceis de serem elaborados.
Por isso, poucos poetas atualmente os escrevem. O poeta Casimiro de Abreu deixou-nos uma relíquia com “A Valsa”, um dissílabo, belissimamente harmonioso, mas difícil de ser composto. Estes versos, bem como os versos monossílabos, também não conseguiram manter a escola por serem difíceis em sua composição.
Assim, a forma romântica de fazer poesia metrificada, com acentuação tônica e musicalidade, foi substituída pelos versos livres na poesia moderna, cujos autores fazem poemas com muita beleza e lirismo.
Vale a pena registrar, que não podemos esquecer autores clássicos como José de Alencar, que manteve na prosa dos seus romances belas poesias. Em seu romance indianista “Iracema”, que até hoje se discute se não teria sido intenção do escritor fazer um anagrama com o nome América, logo no primeiro parágrafo do romance, assim verseja: “Além, muito além da serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros do que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira”.
Em seu outro romance “Senhora”, no último parágrafo, nos traz esta bela poesia: “As cortinas cerraram-se, e as auras da noite, acariciando o seio das flores, cantavam o hino misterioso do santo amor conjugal.”
Os textos acima citados em romances de José de Alencar, indiscutivelmente trazem-nos a certeza de que há muita poesia neles, mesmo em prosa. E quem se debruçar na leitura dos clássicos de sua autoria, aprenderá períodos bem elaborados e poéticos.
A poesia é dinâmica, prossegue acompanhando a vida social e variando o modo de poetar.
Não está muito distante a fase de Cora Coralina que nos propicia um novo caminho para poetar. A leitura de textos de sua autoria sobre “temas como a terra, a mulher, a vida e a morte, remete-nos à visão lírica sobre a sociedade e a história”. Cora Coralina começou a escrever poesia na sua velhice, o que nos faz ter a certeza de que a poesia está em nossa vida, e poderá acordar de sua hibernação a qualquer momento. Foi na sua velhice que acordou para o que era possível fazer.
No outro extremo da vida vem a criança, que ao nascer e emitir o seu primeiro vagido, já o faz em forma de poesia, saudando o ventre que a concebeu e a natureza onde vai viver. Nasce assim, mais um amante das letras poéticas.
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