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Será que as coisas são tão boas, mesmo, para aqueles que estão na "Melhor Idade"?

Crônica realista de Edomir Martins de Oliveira fala da dolorosa história real de quem já passou dos 80 anos, com saúde, no Brasil.

10/04/2024 às 19h29 Atualizada em 13/04/2024 às 19h30
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira.
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Arte: MHL
Arte: MHL

Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Executivo Nacional da Academia Poética Brasileira.

A MELHOR IDADE?
 
FELICIDADE
(Poeta Vicente de Carvalho)
 
“Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda”.
             ..........
Saiu o cidadão de uma concessionária de veículos, onde entrara cheio de esperança em adquirir um veículo novo, dizendo em solilóquio que agora sentira ser a velhice um grande empecilho para a vida. Acalentava-o a Bíblia Sagrada quando diz: “Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado nem seus filhos mendigando o pão”. Livro dos Salmos 37:25.  Por que ele mendigaria financiamento?     
          ..........
 
“Daqui você não sai sem o seu carro novo”, dizia a propaganda da concessionária através dos veículos de comunicação. O autorizado vendedor exibia o seu endereço e telefone para contato. Então fora até lá.

 

Era um cidadão saudável, física e mentalmente, que vivia de uma confortável aposentadoria, do alto dos seus 80 anos, desejoso de comprar um carro zero quilômetro. Entrou na concessionária feliz, e dirigindo-se à atendente disponível, sentou-se na expectativa de fazer um bom negócio. Começaram a conversar sobre uma possível compra e, então, serviram-no um cafezinho para animá-lo e uma água gelada para acalmar seus ânimos. 

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Escutou o preço do carro zero que ele queria, o modelo que lhe estava sendo oferecido e animado pediu que avaliassem o seu carro, que tinha 3 anos de uso. E aí começaram os desânimos a contagiá-lo. O seu carro foi avaliado tão baixo, que logo o desanimou! Mesmo oferecendo-o na negociação, somado com economias próprias disponíveis, ainda faltaria um terço para completar o valor do novo carro oferecido.  

“Daqui você não sai sem o seu carro novo”, dizia a propaganda da concessionária através dos veículos de comunicação. O autorizado vendedor exibia o seu endereço e telefone para contato. Então fora até lá.



Foi nesse momento, que a atendente lhe disse na tentativa de animá-lo à compra, que esse valor que faltava seria financiado pela própria concessionária. Essa perspectiva deu novo alento ao comprador! Um terço ficou representado pelo valor do seu carro, um terço ele tiraria de sua caderneta de poupança e o terço restante seria financiado. 

 

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Passaram, então, para a etapa seguinte que era  fazer seu cadastro. Avaliado e consultado seu comportamento na praça, nenhum impedimento constava para impedir a compra. Levado à supervisora da empresa, voltou a vendedora com a triste notícia de que o pretendido financiamento não poderia ser realizado.

       

Ele estava na faixa etária da “melhor idade”, e embora sendo chamada assim, era proibitivo realizar negócios que envolvessem financiamento com pessoas da sua idade em diante.

 

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A vendedora disse-lhe que sua gerente lhe oferecia como opção apresentar um avalista idôneo com idade inferior à dele e a transação seria realizada.: - “É que as financiadoras entendem ser perigoso para elas pôr em risco o capital financiado para idosos, o mesmo não acontecendo com pessoas jovens para fins de financiamento operacional, disse-lhe a vendedora”. De nada adiantaram os argumentos do pretendente à compra, de que as pessoas jovens, às vezes, morrem de forma inesperada, e mais rápida do que os idosos.

 

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O comprador frustrado em suas pretensões lhe acrescentou: - “Quantos jovens partem mais cedo do que os idosos! Para morrer basta estar vivo. Não importa idade”. Dito isto, retirou-se agradecendo a atenção e lamentou as portas fechadas para idosos, mesmo oferecendo seguro para acobertar a dívida que seria contraída e bem imóvel como garantia.: “Aval não era a opção melhor para ele”. 

 

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         Então, se lembrou que o Banco com o qual trabalhava e através dele recebia seus vencimentos, tinha linha de crédito especial para essa aquisição. Foi até sua agência em referência, solicitou a operação através do caixa eletrônico e foi negado em razão de sua idade.

 

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Edomir M. de Oliveira.

Dirigiu-se inconformado ao gerente que confirmou a impossibilidade de ser realizado o financiamento em razão da sua faixa etária. 

 

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Então cabisbaixo, pensou na grande realidade para os idosos. Eles não vivem a melhor idade. Seus grandes direitos, para os quais não há limite de idade, são pagar em dia seus impostos, tais como IPTU, IPVA, IRPF – (Imposto de Renda Pessoa Física), e outros exigidos por lei, não importando a idade que possuam. Se não forem pagos em dia os impostos, o Estado, o Município e a União serão inclementes. Pobre idoso!!!! 

 

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Foi, então, que para acalentar seu coração lembrou-se, frustrado como estava, que a poesia acalenta o coração daqueles que sofrem no corpo e na alma, e o seu lenitivo, nesta hora, veio com a Lembrança de um poema de Padre Antônio Tomaz, que tem o título de “Contraste”.  

.  

CONTRASTE
(Padre Antônio Tomás - Ceará - 1868-1941)

Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, céleres e ufanos,
Vamos marchando descuidosamente...
Eis que chega a velhice, de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então, nós enxergamos, claramente,
Como a existência é rápida e falaz,
E vemos que sucede exatamente

O contrário dos tempos de rapaz:
- Os desenganos vão conosco à frente
E as esperanças vão ficando atrás.

(Padre Antônio Tomás - Ceará - 1868-1941)

 

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Reunida a família em um restaurante para comemorar a compra do carro novo, tiveram todos uma surpresa ao ver o senhor chegar com o semblante triste e mais ainda quando souberam do financiamento negado pela idade. Foi então que uma filha lhe disse que ele não ficaria sem o carro novo, pois iria comprá-lo em seu nome. Ao que o pai lhe disse então, que ficasse tranquila pois as prestações seriam religiosamente creditadas em sua conta no vencimento, tendo a filha acrescentado que isso não a preocupava pois sabia que o pai 10 dias antes do vencimento, pagava sempre seus compromissos. 

 

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E concluiu o pai indignado: Ainda adocicam a vida do idoso, chamando de melhor idade, quem vive a partir de 60 anos, e agora há até quem chame de idade de ouro!!!!! 

     

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JaimeHá 2 anos Brasília/DFA cada publicação,do Preclaro Mestre, Dr Edomir Martins Oliveira, só podemos esperar preciosidades, como essa acima. Aplausos de pé querido mestre!!!
ClaudiaHá 2 anos Porto AlegreParabenizo o cronista por retratar com fidedignidade as agruras a que muitas vezes pessoas idosas estão sujeitas. Em que pese o envelhecimento da populacão seja um fenômeno global, ainda assim, esse público se vê, muitas vezes, tolhido em sua autonomia, colocada sob suspeita sua higidez e alvo de preconceito como o que retrata a crônica, o qual ignora que a morte não respeita antiguidade e não segue qualquer critério em suas escolhas. Essa crônica é um convite à reflexão sobre esses temas.
JuniorHá 2 anos Vitória ESCaro Prof. Edomir, como é prazeroso ler suas crônicas, textos em que sempre encontro belas poesias e mensagens bíblicas! O senhor aborda um tema que está cada vez mais em voga, uma vez que a faixa etária da população brasileira vem aumentando no decorrer das últimas décadas. E o aborda a lucidez e sensibilidade que lhe são peculiares. Parabéns!
Elvandro Burity Há 2 anos Rio de Janeiro RJcaracteresConfrade Edomir >>> Parabéns!!! A crônica é a realidade. Algumas pessoas esquecem que o idoso é um jovem que deu certo. A longevidade é uma bênção. ⁠O idoso tem a opção de libertar-se da tirania da beleza, do ardor arrebatador das paixões e vivencia a ousadia de ser quem é nesmooooo.
Ana Lucia LimaHá 2 anos São Luís MaEssa é uma triste realidade! Idoso só tem direito a vaga de estacionamento e a filas!
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Edomir Martins de Oliveira
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