
Capítulo 32
Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira
Vice-Presidente Nacional da APB
LISTA DE CONVIDADOS PARA CASAMENTO
Lista de convidados para um casamento é algo muito estressante. É uma dificuldade que sempre vem acompanhando os noivos e, principalmente, os pais da noiva, os quais, por tradição, pagam as despesas que envolvem o casamento, e quanto maior a lista, maior o dispêndio de recurso e, por conseguinte, o estresse. Além disso, as famílias devem estar sempre de acordo para na lista de convidados não constar nomes que não são bem aceitos por uma das partes, evitando-se assim constrangimentos para com os noivos, ou pais desses e, até mesmo, com os padrinhos e convidados.
Este casamento era da filha caçula de um prefeito em fim de mandato, que como vira sua irmã mais velha casar e receber finíssimos presentes, tinha certeza que o mesmo aconteceria com ela. Mas, tudo fora organizado quando o seu pai era prefeito da cidade em início de mandato.
O vestido de noiva da irmã houvera sido confeccionado em São Paulo e o dela estava sendo alugado em uma loja para noivas na capital. Inegavelmente, ela era a noiva pobre de presentes, que estava frustrada em suas expectativas. Seus presentes foram pífios.
A caçula decidiu que, ao invés de presentes luxuosos que não ganhou, pediria a familiares e amigos íntimos, que, ainda não tivessem enviados seus presentes que o fizessem em forma de contribuição para lua de mel. Que depositassem diretamente na agência de viagens que contrataram.
E assim, começou a fazer os planos com o noivo, de uma lua de mel inesquecível, de vinte e um dias pela Europa. Fariam os melhores passeios. Os pais sempre os viam muito animados com a organização da viagem, mas receosos com esses custos que todos os dias aumentavam com novas inserções, os advertiam para que examinassem se não estariam muito altas as despesas. A resposta da noiva era sempre a mesma.- Pai, com certeza, a nossa lua de mel estará garantida.
Porém, a noiva foi traída pela sua inocência, e cegou-se em sua competitividade para com a irmã. Não considerou que o casamento da primeira foi realizado no terceiro mês da posse do seu pai, prefeito eleito desse grande, rico e próspero município em que moravam.
Seu pai estava em fim de mandato, desgastado, não fora reeleito, não ficando nem mesmo para o segundo turno, e ainda foi, por malversação do dinheiro público, denunciado à Justiça. Mas, declarava ser inocente. Haveria de provar isso. Os bajuladores de outrora sumiram, e os amigos bem próximos e familiares, que eram a esperança da noiva, estavam falhando. Mas como ainda faltavam vários dias para o casamento a caçula achava que as coisas melhorariam.
Faltando cinco dias para o enlace, a agência de viagem contratada chamou-os e mostrou a realidade. Explicou-lhes que com os recursos levantados dos presentes, talvez ainda conseguissem passar uma semana de lua de mel em alguma capital do Nordeste, desde que comprassem imediatamente as passagens em voos noturnos, pois eram os mais baratos. Por isso, talvez, a lua de mel tivesse que ser reduzida para cinco dias.
Explicou-lhes ainda que alguns convidados ligavam perguntando se podiam dividir no cartão essa contribuição/presente para lua de mel, e ficavam bastante desorientados quando era explicado que isso não era possível, que tinha que ser em dinheiro vivo. E assim, claramente constrangidos, muitos deixavam os presentes em um valor muito baixo, por não poderem dividi-lo no cartão. As cotas eram bronze, prata, ouro e diamante, mas mesmo as cotas bronze já eram caras. O resultado foi que houveram duas cotas diamante uma da irmã, e outra de um irmão do noivo; pouquíssimas cotas ouro, algumas pratas e uma várias de cotas bronze. E a desculpa dos convidados era sempre a mesma: - queriam dar mais, porém a crise os impedia.
O casal ficou arrasado. Tantos planos para a Europa... Sempre tudo foi tão fácil para eles nos últimos quatro anos. E agora estavam tomando um tombo daqueles. A noiva pensou em pedir ajuda ao pai para a tão planejada lua de mel, mas se retraiu, pois ao chegar em casa se deparou com um número grande de advogados, que tinham sido contratados pelo seu pai, saindo caríssima sua defesa. Além disso, as próprias despesas com casamento já estavam muito altas, pois ela não economizou nas exigências.
-Bem-vinda ao mundo dos mortais -, diziam maliciosamente alguns convidados entre si, quando tomaram conhecimento da lua de mel frustrada. A verdade é que o prefeito criou as filhas achando que tudo era fácil, que tudo podiam, que sonhos são fáceis de realizar e por isso, a grande decepção.
Porém rapidamente a noiva teria que se recuperar, afinal o casamento estava chegando e nem tempo tinha para se lamentar. E assim, chegou o grande dia, do casamento quando o Pastor fez uma homilia belíssima. Os noivos estavam felizes, embora com uma grande baixa de convidados; os amigos sinceros estavam presentes, dividindo a alegria do momento com eles; muito embora seus presentes tenham sido pequenos e com aperto, porém, fizeram com que aquele momento se tornasse mágico pelo altíssimo astral que reinou.
Viajaram felicíssimos para a lua de mel para duas cidades do Nordeste, para uma viagem confortável de dez dias, pois na véspera do casamento caíram novos depósitos na conta da agência de viagem contratada e foi possível estender o período para dez dias e aumentar a viagem para duas cidades e melhorar a categoria do hotel. Quanto ao voo, teve que ser noturno mesmo, pois sairia tão caro a remarcação que desistiram de nova compra.
E agora, mais madura com a experiência, a noiva firmou o pé e disse que não remarcariam, pois, o custo era alto. Pelo visto, a caçula aprendeu muito rapidamente. Quanto ao pai? Se saiu muito bem perante a justiça e se livrou de todos os processos que teve que responder por muitos anos. Alguns prescreveram, para sua felicidade. Pagara seus advogados a peso de ouro, mas compensou.
Quanto a irmã mais velha? Deu de presente de aniversário para a irmã, oito meses depois do casamento, uma viagem para as Ilhas Gregas com o marido, pois havia ganho bastante dinheiro recentemente trabalhando com o seu próspero e rico marido fazendeiro em uma fábrica de laticínios que montaram. Isso foi o suficiente para selar o grande amor que as unia e eliminar a competitividade inerente à irmã caçula, que havia crescido e não tinha mais espaço para isso.
E quanto aos recém-casados? Se amavam muito e estavam bem felizes. Voltaram da Grécia com a família aumentando, pois com muita felicidade a caçula informara à família, dois meses após o retorno, que estava grávida.
Muita razão tinha o Pastor na hora do casamento, em sua homilia, citando o livro de Provérbios 15:16: -“Melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro onde há inquietação”.
O pai da noiva se dizia satisfeito em poder ver as duas filhas casadas. E no entender dele, os casamentos foram um sucesso, acrescentando para sua esposa: - Agora, meu bem, com a missão cumprida, como pais, vamos viver a nossa vida a dois. Vamos aguardar só os nossos netos que haverão de vir.
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