
Editoria de Filosofia e Direito — Plataforma Nacional do Facetubes/Mhario Lincoln (redação final)
*Este trecho foi tirado do livro com palestras de Leonard Peikoff, canadense-americano, filósofo e historiador. Ex-professor de filosofia, tendo sido designado pela filósofa Ayn Rand como seu herdeiro. Peikoff é um autor de diversos livros e um dos principais defensores do Objetivismo sendo o fundador do Instituto Ayn Rand.
De uma conversa, um ensaio.
Uma conversa salutar com o filósofo maranhense Rogerio Rocha fez a editoria, a pedido do editor, pesquisar sobre um dos maiores filósofos do Planeta: Santo Agostinho. A partir daí, a equipe foi buscar um dos textos mais expressivos dele. "A Cidade de Deus", sem dúvida, um dos mais densos diagnósticos teológicos e filosóficos da condição existencial.
O bispo de Hipona descreve com precisão quase clínica a decadência moral do mundo e espanta quando afirma que "a humanidade inteira, em sua origem adâmica, está condenada". O texto não apenas expõe um inventário do mal, mas compõe uma visão agostiniana da História no campo da dor, corrupção e fracasso ético — condição que, segundo ele, "não decorre do acaso, mas de uma estrutura espiritual corrompida desde o princípio". Sua análise transita entre a experiência empírica dos males (guerras, doenças, catástrofes) e sua causa ontológica: o afastamento do Criador.
O cerne da argumentação está enraizado na doutrina do Pecado Original, ponto central do conflito entre agostinianos e pelagianos. Agostinho opõe-se à tese de que o ser humano é capaz, por si mesmo, de alcançar a virtude. Ele afirma que, "(...) antes da graça divina, não há sequer a possibilidade de um gesto autêntico de bondade. A liberdade do homem, portanto, existe, mas está ferida. O livre-arbítrio é preservado, porém incapaz de se mover na direção do bem sem a intervenção sobrenatural (...)".
O que mais chamou a atenção no estudo coletivo que a equipe fez, foi o fato da chamada Graça Divina, que todos buscam a toda hora. A graça de Deus, na concepição do bispo de Hipona, "(...) não é um prêmio por mérito, mas um ato soberano de misericórdia de Deus — não é justiça, é eleição".
Agostinho parece lançar mão de um argumento jurídico-teológico, isto é, "não há direito à graça". Espanta essa afirmação, mais ainda quando ele afirma que "nenhuma criatura pode reivindicá-la" por que a condição do ser humano, de todos os seres humanos, é, sem dúvida "de réus, e só a vontade de Deus pode alterar essa sentença. A lógica é oposta à do merecimento. A justiça de Deus, nesse contexto, é incompreensível aos olhos do mundo, pois a graça é dada não por equidade, mas por compaixão divina".
Essa compreensão tem implicações profundas para a filosofia do direito e para a ética cristã, pois introduz o conceito de uma justiça que transcende qualquer balança humana. Mas, que tal ler parte dos originais que a equipe separou para os leitores da Plataforma Nacional do Facetubes? Vale muito à pena:
PARTE do texto-base de Santo Agostinho (ipisis litteris)
(Está no livro "Os Fundadores da Fislosofia Ocidental"):
"Toda a raça humana foi condenada em sua origem primeira, esta própria vida, se é que pode ser chamada de vida, é testemunhada pela multidão de males cruéis com os quais está repleta. Isto não é provado pela profunda e terrível ignorância que produz todos os erros que envolvem os filhos de Adão, e dos quais nenhum homem pode ser libertado sem esforço, dor e medo? Não é provado pelo amor do homem por tantas coisas vãs e prejudiciais, que produz preocupações corrosivas, inquietações, tristezas, medos, alegrias selvagens, brigas, processos judiciais, guerras, traições, raivas, ódios, enganos, lisonjas, fraudes, roubos, perfídia, orgulho, ambição, inveja, assassinatos, parricídios, crueldade, ferocidade, maldade, luxo, insolência, atrevimento, descaramento, fornicações, adultérios, incestos, e as inúmeras impurezas e atos não naturais de ambos os sexos, que tanto são vergonhosos como mencionar; sacrilégios, heresias, blasfêmias, perjúrios, opressão de inocentes, calúnias, conspirações, falsidades, falsos testemunhos, julgamentos injustos, atos violentos, saques e qualquer maldade semelhante que tenha encontrado seu caminho na vida dos homens, embora não consiga encontrar seu caminho na concepção de mentes puras?...(...)".
"(...) - [Quem] pode descrever, quem pode conceber o número e a severidade dos castigos que afligem a raça humana - dores que não são apenas o acompanhamento da maldade dos homens ímpios, mas são uma parte da condição humana e da miséria comum que medo e que tristeza são causados pela perda e luto, pelas perdas e condenações, pela fraude e pela falsidade, pelas falsas suspeitas e por todos os crimes e ações perversas de outros homens? (...)".
"Pois em suas mãos sofremos roubo, cativeiro, correntes, prisão, exílio, tortura, mutilação, perda de visão, violação da castidade para satisfazer a luxúria do opressor e muitos outros males terríveis? Que inúmeras causalidades ameaçam nossos corpos de fora extremos de calor e frio, tempestades, inundações, relâmpagos, trovões, granizo, terremotos, casas caindo; ou do tropeço, ou do receio, ou do vício dos cavalos; de inúmeros venenos em frutas, água, ar, animais; das mordidas dolorosas ou mesmo mortais de animais selvagens; da loucura que um cão louco comunica, de modo que mesmo o animal que de todos os outros é o mais gentil e amigável com seu dono se torna objeto de medo mais intenso do que um dragão; e o homem que por acaso infectou com este contágio pestilento torna-se tão violento que seus pais, esposa, filhos o temem mais do que qualquer animal selvagem! Que desastres sofrem aqueles que viajam por terra ou por mar? Que homem pode sair de sua própria casa sem ficar exposto a acidentes imprevistos?"
"Mas em toda sua sabedoria, Santo Agostinho completa: Para que nenhum homem possa pensar assim, mesmo as crianças batizadas, que certamente são insuperáveis em inocência, são às vezes tão atormentadas que Deus, que permite isso, nos ensina a lamentar as calamidades desta vida e a desejar a felicidade da vida futura. Quanto às doenças corporais, são tão numerosas que não podem ser todas contidas nem mesmo nos livros médicos. Os homens são libertados de uma dor que destrói por uma cura que dói...(...)"
"(...) Deste inferno na terra não há escapatória, exceto através da graça do Salvador Cristo, nosso Deus e Senhor. Essa questão revela um preconceito Pelagiano. Lembre-se da doutrina do Pecado Original: estamos totalmente manchados pelo pecado e, por conta própria, não podemos dar um passo na direção da virtude, sem Ele. Somos irremediavelmente dependentes da decisão de Deus. Antes da graça somos todos inerentemente perversos e não temos direito à graça de Deus - assim, devemos entender que é por Misericórdia de Deus - não justiça - estender essa graça ao Homem escolhido. (...)".
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Em tempo: a equipe recomenda a leitura indica esse livro"Os fundadores da Filosofia Ocidental - de Tales a Hume", editado pela Faro editorial. Realmente um trabalho de fôlego, "comecei a lê-lo na sexta-feira à noite. Fui até mais ou menos 5 da manhã, depois no sábado à tarde até 4 da manhã e, por fim, em quase todo o domingo mergulhei fundo nesses ensinamentos. Simplesmente um resumo de tudo (com detalhes) que gostaria de aprender sobre Filosofia Ocidental. No próximo final de semana termino o livro com mais de 600 páginas de puro prazer", confessa o editor e gerador da pesquisa, jornalista e poeta Mhario Lincoln. A obra é organizada com base nas palestras de Leonard Peikoff, simplesmente um "monstro" no assunto.
Pois bem! Beseado em um ciclo de palestras dado por Leonard Pelkoff em 1972, este livro fornece conhecimento essencial para todos cujas buscas de vida são ameaçadas pela irracionalidade generalizada de nossa cultura. "Para lutar por seus valores em um mundo como o nosso, você deve se considerar um psicoterapeuta de uma cultura inteira", afirma o Dr. Peikoff em sua palestra de abertura. "O estado atual da cultura, em qualquer momento, não pode ser compreendido exceto como um resultado de seu passado. Os erros de hoje são construídos sobre os erros do século passado, e eles, por sua vez, sobre os anteriores, e assim por diante, de volta à infância do mundo Ocidental, que é a Grécia antiga."
Por exemplo, ele diz, o fenômeno da educação progressista pode ser explicado apenas por referência a John Dewey: "Mas Dewey simplesmente aplicou à educação os princípios de William James, e James fez uma dedução óbvia de Hegel, e Hegel é uma variante menor de Kant, e Kant estava tentando responder a Hume, que foi a última consequência consistente da tendência inaugurada por Descartes e Locke, que estavam simplesmente reformulando, de uma forma um pouco mais secular, os princípios de Agostinho, que estava reformulando de uma forma um pouco mais religiosa os princípios de Platão, que estava tentando responder ao dilema colocado por Heráclito e Parmênides, que partiram de quatro frases de Tales(...)".
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