
História do azeite em Portugal...
Pesquisa: José Roberto Francis, direto de Loures/Portugal
Autora: Engª Ana Monteiro...
"Há registos que durante o séc. XIII, em Portugal, o azeite já era um produto que movimentava a economia positivamente. Inicialmente, o cultivo estendia-se até à zona da cidade de Aveiro e só no século XVI é que se estendeu à zona norte de Portugal.
Nos forais, das antigas províncias da Estremadura e do Alentejo, durante o final da Idade Média, constava que, a maior produção de azeite em Portugal era atribuída às regiões de Coimbra e Évora.
Gradualmente, foi crescendo regulamentos, visto que, era um produto e uma produção em expansão.
O porto de Lisboa, era um ponto de grande comércio e ponto de partida rumo às Áfricas e Índias, onde o azeite e o vinho, eram os primeiros produtos de tráfico.
Em 1572 foi promulgado o "Regimento dos Lagareiros e Lagares de Azeite". Estes regimentos estendiam-se aos Lagareiros, Moedores, Acarretadores e Lagareiros. Esta nova implementação gerava uma maior segurança por parte de todos onde surgiram leis destinadas ao equipamento e medidas para a azeitona/azeite, fundamentais para sua normalização comercial.
Os Lagareiros eram Homens com uma competência acentuada, os quais, juravam sobre os Santos Evangelhos e atribuíam "as cartas de mestre de lagar aos candidatos que depois de criteriosamente examinados, mostrassem ter conhecimentos do ofício que lhes permitissem dirigir, com honestidade e competência, a safra do lagar".
O Mestre, nesta época da safra não podia abandonar o lagar era extremamente proibido e não podia "deixar entrar no engenho nenhum familiar até ao quarto grau" porque ele tinha que se concentrar, para assim obter, o melhor azeite da campanha.
Para além dos Lagareiros, os Esparteiros, Homens que faziam as seiras; os Dreiros, os Oleiros e Oficiais de Latoaria, que faziam vários tipos de vasilhames, também tinham uma grande responsabilidade da entrega dos produtos a tempo e com qualidade.
Muitos destes Homens, eram crentes na sua fé. Quando a época da safra terminara, eles iam pagar as promessas pela boa produção obtida. Geralmente os santos protectores invocados para esta produção eram a N.ª Sr.ª das Candeias, a N.ª Sr.ª dos Olivais, a St.ª Luzia, o São Lucas, o São Romão e o São Simão.
Ainda hoje, muitos crentes adeptos à sua religião Cristã, continuam a invocar estes Santos em busca da serenidade da sua produção, comercialização e venda.
Com toda esta historia do passado Português, neste sector alimentar, é de salientar que o Azeite Português tornou-se num azeite notável e de grande impacto face aos mercados exteriores. Isto acontece porque temos uma grande história, de produção, onde os saberes vão passando de geração em geração.
Centenas de portugueses, trabalharam e trabalham neste sector de norte a sul do país alcançando toneladas de azeite por ano, glorificando cada vez mais, o nome de Azeite de Oliveira Português .
A SIAZ - Sistema de Informação sobre o Azeite e a Azeitona de Mesa Portugal, gerido pelo Ministério da Agricultura de Portugal, informa-nos actualmente as produções nacionais. Regista que na campanha de 2013-2014 Portugal teve uma produção de "90 mil toneladas de azeite, a mais elevada dos últimos 50 anos".
Presentemente teve uma produção nacional de azeite que atingiu as 61,2 mil toneladas na campanha 2014/2015. Esta quebra de 32% em relação ao ano passado deveu-se "resultou de um ano de contra-safra e de condições meteorológicas e fitossanitárias desfavoráveis para a produção de azeitona, principalmente nos olivais tradicionais de sequeiro, que representarão cerca de 80% da área total nacional de olival para azeite".
https://www.gpp.pt/estatistica/SIAZ/
https://diarioagrario.blogspot.pt/2015/04/producao-de-azeite-teve-uma-quebra-de-32.html
Olhares da história...
"Falar da história do azeite português é retroceder no tempo é ir ao encontro histórico de quem habitava nas terras onde hoje é o país designado Portugal. Portugal, é um país composto actualmente por uma área total de 92 090 km². Delimitado a norte e leste por Espanha e a sul e a oeste pelo Oceano Atlântico, compreendendo uma parte continental e duas regiões autónomas que se designam pelos arquipélagos dos Açores e Madeira. Em termos de população, segundo os censo de 2011, havia uma população de 10 562 17 habitantes.O azeite em Portugal é um produto extremamente emblemático para o nosso país e quem lida com este produto tem que obrigatoriamente ter conhecimento como era o passado deste produto milenar!
Com a leitura de livros portugueses e de outros países deparamos com a verdadeira história deste produto alimentar da mãe natureza. Os livros, proporcionam ao leitor, um encontro com culturas e com uma era distinta da atual e, que nos chegam até aos dias de hoje, por meio de livros seculares escritos por pensadores, filosóficos, historiadores, aristocratas, entre outros, que se debruçavam e aprofundavam ao exímio sobre os temas debruçados. Nestes escritos ou manuscritos, interpretamos a evolução que da cultura milenar da árvore - a oliveira, do seu fruto - o azeitona, da sua extração - o azeite, da sua utilização e, por fim, da sua venda e exportação.Perante a linha cronológica do tempo vamos deparar com a expressão da cultura, em paralelo, com a conquista do nosso território onde os documentos escritos nos mostram também a evolução da escrita do português, que é uma língua românica flexiva, com origem no galego-português falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal.
Com a criação do Reino de Portugal (1139) a sua expansão para sul originou a difusão pelas terras conquistadas. Por este motivo, irei basear-me em vários livros onde se pode avaliar a evolução desta língua.
https://www.orlando-ribeiro.info/biobibliografia/index.htm
"Por toda a parte, com o tronco contorcido e às vezes roído da cárie, com a folha miúda e prateada à luz do entardecer, na sombra protectora dos seus ramos simbólicos, a oliveira exprime, como nos tempos bíblicos, a rústica paz das almas e a fecundidade sagrada da terra." (Orlando Ribeiro)
Período da Pré-História ...
No atual território de Portugal existe um país onde a história do seu passado é notório.
Iniciou-se com a Pré-História da Península Ibérica à cerca de 1,2 milhões de anos com o povoamento dos primeiros homídeos.
Na Pré-História, temos vários períodos:
-Paleolítico - 7000 a.C.
-Mesólitico
-Néolítico - 7.000 a.C. - 3.000 a.C.
- Calcolítico ou Idade do Cobre - 3000 a.C. -1.900 a.C.
-Idade do Bronze - 1.800 a.C. - 700 a.C.
-Idade do Ferro - 700 a.C. - 2180 a. C.
-Expansão dos povos Indo-Europeus (celtas) desde os finais do século VIII a.C.
-Influência fenícia (Fenícios, Gregos, Cartagineses) todos colonizaram a Península Ibérica
É de reforçar que a Pré-História durou até às Guerras Púnicas.
Neste período, houve três conflitos que opuseram a República Romana e a República de Cartago (cidade do Estado Fenício) que decorreu entre 264 a.C e 146 a.C..
Cartago, foi totalmente destruída e Roma passou a dominar o Mar Mediterrâneo (mar Atlântico e está compreendido entre a Europa Meridional, a Ásia Ocidental e a África setentrional. Tem aproximadamente uma área de 2,5 milhões de Km2)
"E com um ramo de oliveira o homem se purifica totalmente" Virgílio, Eneida; a.C.
Como referência primordial histórica da árvore - oliveira - Públio Virgílio Maro (70 a.C. -19 a.C.) fora considerado um dos maiores poetas de Roma sendo um dos expoentes máximos da literatura latina daquela época e deixou vários testemunhos desta árvore milenar.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADlio
Bucólicas-Geórgicas y Eneida de Virgilio; Facsímil del códice editado por Vicent García Editores, foto da web
Nos seus registos sobre o azeite e a oliveira do seu tempo é interessante ler no livro da Eneida:
"...835 Ou n'Ausônia assentar nos tolhe o medo?
Quem distante apresenta insígnias sacras
E ramos de oliveira? as cãs e a barba
Do rei conheço que primeiro em Roma
Legislará, da exígua e pobre Cures..."
(Virgílio, Eneida; a.C. Livro VI)
"...420 Se transfigura: a testa e face obscena
De rugas ara, às cãs veste uma touca,
Prega-lhe em cima um ramo de oliveira,
E ao jovem se apresenta: "Sofres, Turno,
Tantas lidas frustradas, que a fugidos..."
(Virgílio, Eneida; a.C. Livro VII)
"...320 Pontal, número, forma; nós prestemos
Dinheiro, arsenais, braços. E oradores
Cem dentre os nobres deputar me agrada;
Que, nas mãos a oliveira, em brinde ofertem
Marfim, talentos de ouro, e a trábea e a sela
325 Curul, do reino insígnias. Em consulta,
Provede ao bem do combalido estado...."
(Virgílio, Eneida; a.C. Livro XI)
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