
Capítulo 39
Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB
"Quando uma paixão virtual vira um desagradável Fakelove"
Com o advento da internet e da telefonia móvel, cartas e telegramas caíram em desuso. As comunicações se tornaram rápidas. Hoje, a correspondência é feita através das redes sociais. Muitas pessoas procuram sites de namoro para encontrar seus parceiros. E alguns dão certo.
E aqui começa nossa história...
A moça fora noiva. Mas, as desilusões com o noivo, levaram-na a romper o noivado. Porém, ela não conseguia encontrar um rapaz que a entusiasmasse e despertasse nela vontade de namorá-lo. O ex-noivo insistia em voltar o noivado e ela não aceitava. Dizia estar arrependido, e se voltassem não iria mais decepcioná-la. Assim, decorrido algum tempo, ela resolveu buscar um candidato através das redes sociais.
Pesquisou em um site de relacionamento que tratasse de namoro e não foi difícil encontrar. Os candidatos que se apresentavam, contudo, não despertavam nela o desejo de conhece-los. Até que lhe apareceu alguém com uma conversa agradável, sorriso franco, bastante simpático.
Iniciaram um diálogo e ela, a cada dia, ficava mais empolgada. Sabia conversar e era muito romântico, parecendo até ser poeta. Dizia trabalhar em um grande jornal na cidade onde morava. Informava ser bem empregado no jornal, como jornalista redator que era, e ela se entusiasmou, cada dia mais animada. Era moça de classe média, que morava com a avó desde criança e era Universitária. Pediu-lhe então uma foto através do WhatsApp. Na forma combinada, ele mandou e ela por sua vez mandou-lhe a sua. Agradaram-se mutuamente; e a troca de mensagens românticas crescia cada vez mais. Passavam horas conversando e contando sobre suas vidas.
Ela perdera a sua mãe ainda criança e fora criada pelos avós que a acolheram e deram-lhe todo amor e carinho. Sempre estudou em bons colégios para que fosse aprovada em universidade pública, ao prestar o vestibular como de fato aconteceu, tendo sido aprovada para o Curso de Arquitetura. Contou-lhe que sua avó estava muito triste, pois seu marido falecera recentemente. Era um casal muito unido. A situação financeira era boa, pois o falecido deixara-lhe boa pensão, e ainda um bom seguro de vida.
O rapaz, a título de querer consolá-la e à sua avó, disse-lhe do seu desejo de conhecê-la pessoalmente. Ela se mostrou muito empolgada com a ideia e lhe perguntou quando ele poderia vir. Ele, então, respondeu-lhe que só não iria logo porque gastara muito com passagens aéreas para seus pais que moravam em outro estado e quiseram visitá-lo. Precisava se refazer dessas despesas efetuadas. Ela, então, perguntou-lhe: - Se eu mandar as passagens você pode vir quando? - Ele retrucou que quando as passagens chegassem iria logo, pois queria conhecê-la melhor. -Você me garante hospedagem? - Ela estranhou a pergunta, mas lhe disse que o hospedaria em sua casa.
A avó não se empolgou com a ideia da neta em mandar passagens para um desconhecido e muito menos em hospedá-lo, em casa. Por sua sabedoria, era líder na família, e fez ver que isso estava cheirando a pilantragem. A jovem logo lhe disse: - Vó, a senhora está sendo muito desconfiada. – Ao que a avó fez-lhe ver que quem vinha conhecer uma moça tinha despesas; era muito deselegante aceitar passagens pagas por ela e hospedagem, o que não era de quem tinha bom caráter. -
Mas, a moça já havia prometido trazê-lo e hospedá-lo, e estava muito animada com a sua chegada. Era empregada e pagaria as passagens no cartão de crédito. Quanto à hospedagem, ele ficaria em um quarto de hóspedes no apartamento. Sobre a alimentação, era só botar “mais água no feijão”. Na dia e hora aprazada, foi busca-lo no aeroporto. Bem-apessoados, tiveram alegria em se conhecer.
Ele, de porte atlético, era um homem bonito e achou a jovem mais bela ainda pessoalmente. E quando ele viu o carro dela, mostrou-se espantado. Era um belo veículo! Foram para casa almoçar e o rapaz confessara que esperava comer camarão BG (branco e grande), pois para ele esse prato era o melhor do Brasil; de fato havia uma caldeirada de camarão bem trabalhada, que a avó fizera a contragosto, para atender à solicitação da neta a quem tinha dificuldade em dizer não. Estava muito saborosa, e tinha também outros pratos, como era comum à sua mesa.
A jovem entendeu logo que ele era muito exigente e só gostava de coisas finíssimas. À noite, foram para um restaurante próximo à sua casa, para onde podiam se deslocar a pé. Ele fez questão, olhando o cardápio, de pedir lagostas, acompanhadas de bom vinho. A moça tremeu nas bases! Seria um jantar caríssimo. E o pior é que na hora de pagar a conta ele não esboçou qualquer gesto de querer pagá-la, e ela teve mais uma vez, que usar seu cartão de crédito.
À noite, na hora de dormir, a avó disse-lhe que a neta dormiria com ela, para decepção dele. Pela manhã, ele acordou lá pelas dez horas, reclamando como primeiras palavras, que o colchão não era ortopédico e dormira muito mal. No café, ficaram espantadas quando ele se empanturrou com as delícias servidas, além de sucos e frutas regionais. E foi acrescentando que ele gostaria de almoçar uma carne-de-sol de filé, famoso prato de restaurante local e por essa e outras ele cada hora era menos confiável.
A avó, muito esperta, observou que ele não olhava nos olhos dela quando conversavam. Até a empolgada namorada já começava a concordar com a avó, que ele era extremamente folgado e sem noção. A senhora, com a sua sabedoria, discretamente, arrumou logo um bom pretexto para ele retornar para sua terra o mais rápido possível.
Comunicou-lhe que tinha um sobrinho, que era Delegado de Polícia que iria jantar com eles a noite, em seu apartamento, para conhecê-lo. Ele, quando ouviu essa informação, ficou pálido; fatalmente iriam saber sobre a sua vida pregressa. Valei-me meu Deus! Jantaram e no outro dia o sobrinho descobriu nos arquivos da Polícia, que ele não era jornalista nem possuía o nome com que se apresentara, era um falsário, e sua ficha criminal não era pequena. Disse à sua prima e à tia do perigo que estavam correndo, em hospedar um estranho em casa.
O visitante, então, com esse policial na família, sentiu que não havia mais espaço para ele e resolveu dizer que recebera telefonema de seus pais, dizendo-lhe que precisavam dele com urgência e ele teria que retornar. Saiu fugido sem se despedir de ninguém. Foi então que a moça deu por falta do seu cartão de crédito e o cancelou imediatamente, e percebeu também que sua carteira de cédula estava vazia. Para alegria de todos, ele se foi ficando a lição de que hospedar desconhecidos é muito perigoso.
Voltou com o ex-noivo, que tinha cometido uma falha, é verdade, mas que se tornou muito pequena, comparado ao que houvera passado, atendendo ao que pedira sua avó e ao que ela lhe dissera: - Neta querida, não esqueça a recomendação Bíblica, contida em Colossenses 3:13,14: Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor lhes perdoou, assim também perdoai vós. Acima de tudo isso, porém, esteja o amor que é o vínculo da perfeição”. Os ex - noivos entenderam-se bem. A chama do amor que não tinha se apagado, foi reavivada e casaram-se. Agora ele se revelava nova pessoa.
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