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A VERDADE sobre a "Balsa da Medusa", Théodore Géricault

Esperança, Medo, Morte e canibalismo

21/03/2020 às 12h59
Por: Mhario Lincoln Fonte: História das Artes. Por Simone Martins
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A Balsa da Medusa, obra de Théodore Géricault
A Balsa da Medusa, obra de Théodore Géricault

 

A BALSA DA MEDUSA, THÉODORE GÉRICAULT

Esse quadro se inspira no trágico naufrágio, do verão de 1816, da fragata francesa chamada Medusa dirigida a Senegal, cujos sobreviventes vagaram pelo oceano sobre uma balsa. Géricault capta na tela o momento em que alguns náufragos avistam uma vela no horizonte e parece como se na balsa de horror e morte ocorresse uma palpitação de vida e esperança.

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É uma importante obra na pintura francesa do século 19, geralmente, considerada um ícone do Romantismo. Representa um acontecimento cujos aspectos humanos e políticos despertaram grande interesse em Géricault.

O pintor pesquisou em detalhes a história do naufrágio da fragata francesa Medusa na costa do Senegal em 1816, com 150 pessoas a bordo. Fez vários esboços antes de decidir sobre sua composição definitiva. Reuniu documentação e ouviu relatos dos sobreviventes.

O desastre do naufrágio foi agravado pela brutalidade e pelo canibalismo que se seguiram. A pintura é uma visão sintética da vida humana abandonada ao seu destino.

Géricault decidiu representar a vã esperança dos marinheiros naufragados: o barco salva-vidas é visível no horizonte, mas navega sem vê-los. Toda a composição é orientada para essa esperança, culminando na figura negra do barco.

Ele trabalhou com figuras de cera, estudou cadáveres decepados em seu estúdio, usou amigos como modelos e hesitou entre vários detalhes.

Os corpos pálidos recebem uma ênfase cruel de um claro-escuro ao estilo de Caravaggio. Alguns se contorcem na euforia da esperança, enquanto outros desconhecem o navio que passa. Estes últimos incluem duas figuras de desespero e solidão: uma luta por seu filho, a outra lamentando seu próprio destino.

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Este quadro está exposto no Museu do Louvre, na Salle Mollien, onde abriga também grandes pinturas românticas francesas, incluindo a célebre Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

Em 2015, o Musée de La Vie Romantique realizou a exposição, “Visages de l’effroi”, onde foram expostos pequenos quadros que Géricault que retratavam mãos e pés decepados, pedaços de carne com uma exatidão assustadora. As peças traziam tanto realismo que conseguiam causar enjoo, porque demonstravam uma crosta de tinta vermelha semelhante ao volume da carne.

Através de uma reunião de obras francesas de Jacques-Louis David, Eugène Delacroix,  e Jean-Auguste Dominique Ingres, muitas vezes inéditas, a exposição mostrou a passagem de uma violência dramática e controlada no final do século 18 para uma forma francesa de fantasia e o romantismo negro.

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