
Mhario Lincoln, com Editoras
A crítica internacional realça o romance "Úrsula", de Maria Firmina dos Reis,(Brasil), como um dos mais importantes momentos literários de mulheres negras. Aliás, sobre essa obra, a pesquisa e professora Keila Marta, da Academia Poética Brasileira, em artigo contundente, diz: "No anonimato de uma maranhense, surge Úrsula, um romance delineado por uma delicada linguagem, do primeiro, ao décimo primeiro parágrafo do capítulo um, há uma espécie de louvação a natureza, ao cenário, a flora de um recanto do Brasil, ao citar nomes de plantas, como carnaubeiras, atalaias, axixás e jatobá. Logo nas primeiras linhas o narrador enaltece “são vastos e belos os nossos campos; porque inundados pelas torrentes do inverno semelham o oceano em bonançosa calma [...] (p.27). Há um outro detalhe que marca essa primeira parte, a cena em que Tancredo após a queda de seu cavalo, num estado de saúde bastante grave é descoberto e ajudado por Túlio, um jovem escravo, e com algumas trocas de cordialidade tornam-se depois bons amigos, a ponto de o bom cavaleiro dar ao outro a sua liberdade, essa atitude demonstra que mesmo naquele período as pessoas boas tratavam os negros com afeição. Na fala de Túlio há esse reconhecimento: “– homem generoso! Único que soube compreender a amargura do escravo” (p. 44)." Para ler a íntegra desse texto, siga o link:
Em recente reportagem internacional, Firmina integra um elenco de grandes escritoras, a partir de uma avaliação significativa. essa importante lista avaliativa de grande conteúdo, destacam-se também:
2 - FIQUE COMIGO, de Ayòbámi Adébáyò. (Nigéria). Finalista do Baileys Women's Prize for Fiction, este romance de estreia inesquecível ambientado na Nigéria dá voz a marido e esposa enquanto eles contam a história de seu casamento — e as forças que ameaçam destruí-lo. Yejide e Akin se apaixonaram na faculdade e logo se casaram. Apesar de muitos terem esperado que Akin tivesse várias esposas, ele e Yejide sempre concordaram que o marido não seria poligâmico. Porém, após quatro anos de casamento — e de se consultar com médicos especialistas em fertilidade e curandeiros, tomar chás estranhos e buscar outras curas improváveis —, Yejide não consegue engravidar. Ela está certa de que ainda há tempo, mas então a família do marido aparece na sua casa com uma jovem moça que eles apresentam como a segunda esposa de Akin. Furiosa, chocada e lívida de ciúmes, Yejide sabe que o único modo de salvar seu casamento é engravidar. O que, enfim, ela consegue — mas a um custo muito maior do que poderia ter imaginado. Um romance eletrizante e de enorme poder emocional, Fique comigo não apenas debate as questões familiares da sociedade nigeriana, como também demostra com realismo as mazelas e as dificuldades políticas enfrentadas pela população desse país nos anos 1980. No entanto, acima de tudo, o livro faz a pergunta: o quanto estamos dispostos a sacrificar em nome da nossa família?
3 - SEM GENTILEZA, África do Sul, de Futhi Ntshingila. Em meio ao apartheid, nos guetos da África do Sul, mãe e filha precisam sobreviver em um ambiente marcado pela pobreza e pelo medo da aids. Este romance traz uma história de superação de cruéis adversidades, mas também conta a trajetória de libertação pessoal de uma mulher orgulhosa e de uma menina que se torna adulta cedo demais. Diante de uma sociedade machista que tenta anular suas existências, Zola e Mvelo lutam para que suas vozes sejam ouvidas.
4 - AYA, de Marguerite Abouet/Clément Oubrerie. (Costa do Marfim). É uma história alegre sobre a vida na Costa do Marfim durante a década de 1970, uma época particularmente próspera e rica da história do país. Enquanto as histórias encontradas em Aya: Love in Yop City mantêm seu tom familiar, ritmo acelerado e alegria, vemos Aya e seus amigos começando a tomar decisões sérias sobre seu futuro. Quando um professor tenta tirar vantagem de Aya, seus planos de se tornar médica são seriamente abalados e ela jura se vingar do homem lascivo. Com uma pequena ajuda da comunidade unida de Yopougon, porém, Aya passa por essas provações mais forte do que nunca. Aya de Yopougon (Volume 1, de 3).
5 - O CAMINHO DE CASA, de Yaa Giasi. (Gana). Conta a história das irmãs Effia e Esi, que não se conhecem, nascem em duas aldeias tribais diferentes de Gana, no século XVIII. Effia, a moça mais bonita do lugar, é vendida pelos pais para um colonizador inglês chamado James, e viverá com conforto nas salas palacianas do Castelo de Cape Coast. Quey, seu filho mestiço, será enviado para estudar na Inglaterra antes de voltar à Costa do Ouro para servir como administrador do Império. Mas sua irmã Esi terá outra sorte: encarcerada abaixo dos aposentos de Effia, no calabouço das mulheres do castelo, ela logo será embarcada com destino à América, onde será vendida como escrava.
6 - MANIFESTO DE NUNCA DESISTIR, de Bernardine Evaristo (Inglaterra). É um relato franco e comovente sobre a própria trajetória e a importância da persistência, escrito pela autora de "Garota, mulher, outras", romance vencedor do Booker Prize de 2019. Em "Manifesto", a autora que é traduzido para mais de 35 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos no mundo todo — oferece um relato emocionante de sua trajetória. Nascida em Londres em uma família birracial, filha de mãe inglesa e de pai nigeriano, Bernardine Evaristo e seus sete irmãos conheceram cedo o peso do preconceito na vizinhança, na escola e na igreja que frequentavam. Mistura de livro de memórias com recomendações práticas, Manifesto é uma admirável fonte de inspiração. Ao reconstituir seu percurso profissional, familiar e afetivo, uma das autoras mais célebres e lidas da atualidade descreve os traumas causados pelo preconceito, esmiúça o racismo e o machismo entranhados nas pequenas e grandes situações do dia a dia, relata suas relações amorosas com homens e mulheres e atesta sua incansável determinação em abrir caminhos para tornar o meio literário mais diverso e inclusivo. "Em seu novo livro de memórias, [Bernardine Evaristo] descreve como, por muito tempo, foi excluída dos panteões da literatura, e como finalmente conseguiu entrar... Ao misturar humor aos mais difíceis temas — escravidão, preconceito, trauma —, ela combina com maestria diferentes épocas e linguagens." — The New Yorker.
7 - FILHOS DE SANGUE E OSSO, de Tomi Adeyemi, norte-americada de origem Nigeriana. Eleito um dos melhores livros de 2018 na categoria infanto/juvenil pelo Entertainment Weekly, Amazon, Time, Newsweek e Publishers Weekly. Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas.
8 - MINHA CASA É ONDE ESTOU, de Igiaba Scego, italiana. Três primos, com três diferentes cidadanias, tentam juntar as memórias de toda a família desenhando o mapa da sua cidade de origem, Mogadíscio. Quando Igiaba Scego, sentada àquela mesa, tem que desenhar o seu mapa pessoal, fica perplexa. Ela se dá conta de que não conhece a cidade onde sua família viveu antes de se mudar para a Itália. A sua Mogadíscio é Roma, cidade onde nasceu e cresceu. Por isso, àquele mapa familiar, ela junta os lugares da sua vida italiana. Através de seis estágios romanos, cada um dos quais correspondendo a uma parte de sua vida, a autora delineia uma topografia afetiva autobiográfica, que se torna, a um só tempo, o desenho de uma memória pessoal e coletiva. Se o livro de Igiaba Scego se assemelha a um mapa, é também porque nos leva à descoberta de um tesouro precioso: uma nova perspectiva sobre a condição humana de imigrante, que é a de todos nós. Em Minha casa é onde estou, a autora nos ajuda a nos deslocarmos do nosso lugar de origem, e assim desenvolvermos um novo olhar – geográfico, linguístico, psíquico, literário – para enxergar melhor o outro. Atualíssimo, o livro é uma espécie de antídoto para o ódio que se alastra pelo mundo contra aqueles que definimos como estranhos-estrangeiros, seja porque vêm de outro país, seja porque carregam em si traços que consideramos inferiores, apenas porque diferentes.
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